Bailarino de São João de Meriti é aprovado em escola de dança na Hungria e faz vaquinha para pagar viagem

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O jovem meritiense de 28 anos Ariel Corrêa pensava até em desistir do balé quando viu um anúncio para inscrição num programa de treinamento da companhia Budapest Dance Theater, na Hungria, na semana passada. O bailarino, que aos 16 começou a dançar a pretexto de corrigir uma escoliose, recebeu incentivo do noivo, o estudante de Geologia Gilmar Pachá, de 26 anos, para se inscrever.

— Meu noivo disse: “Tenta, vai que você é aceito, vai ser uma oportunidade”. Mandei o material, e fui aceito — conta.

A resposta chegou na última quinta-feira. A experiência terá duração de dez meses, e agora o jovem corre contra o tempo para conseguir dinheiro para viagem, hospedagem e pagamento do treinamento na companhia. Para isso, Gilmar criou uma vaquinha virtual com a meta de arrecadar R$ 50 mil. Ele precisa estar na Hungria até o dia 10 de setembro.

— Preciso pagar 300 euros até o dia 31 deste mês para garantir a vaga. Eles não oferecem bolsa de estudo — diz.

O bailarino já passou pela escola do Theatro Municipal do Rio, pelo projeto social Recicle e Dance, em Caxias, foi bolsista no Conservatório Brasileiro de Dança e professor na Escola Arte Dança, em Suzano (SP). Também teve experiências em escolas e companhias internacionais, como a American Academy of Ballet e a Ajkun Ballet Theatre, em Nova York. Ariel ainda foi a Portugal, onde fez curso com o Balé Nacional de Cuba, em 2018.

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As viagens para EUA e Portugal também foram custeadas com dinheiro levantado em vaquinhas. Agora, além da arrecadação virtual, ele planeja rifar utensílios domésticos doados pela vó do noivo. Ele vê o curso na Hungria como uma nova chance:

— Abracei a oportunidade como uma luz no fim do túnel, para não parar de dançar. Para um bailarino da minha idade, ser aprovado para um programa desses é como uma medalha de ouro.

Antes da pandemia, Ariel dava aulas de coreografias para festas de 15 anos e casamento para complementar a renda. Essas atividades foram suspensas.

— Vejo a dança como uma profissão como outra qualquer. É difícil, não tem tanto apoio.

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