Bairros periféricos de Nova Iguaçu sofrem sem esgoto, pavimentação e iluminação pública

Cíntia Cruz
·3 minuto de leitura
Foto: Cléber Júnior / Agência O Globo

90385408_CI-Rio-de-Janeiro-RJ-06-11-2020-BX--Politica--Falta-de-Saneamento-b

Foto: Cléber Júnior / Agência O Globo

Apesar de viverem em uma das maiores cidades da Baixada Fluminense, moradores de alguns bairros de Nova Iguaçu se sentem esquecidos, já que serviços básicos não chegam em suas casas. Para driblar as consequências da falta de atendimento do poder público, muitas vezes são eles que colocam a mão no bolso.

No bairro Campo Alegre, Maria de Fátima da Silva, de 57 anos, botou a mão no bolso e na massa. A Rua Iracema Aguilhera, no sub-bairro Três Marias, onde ela mora, não tem pavimentação, assim como a maioria das vias da região. Para evitar que a água entre em casa, ela precisou comprar aterro para deixá-la mais alta do que a rua.

— Moro aqui há mais de 30 anos. Entra prefeito, sai prefeito, e sempre fica assim. Chove, a água na escoa e entra em casa. Tive que aterrar minha garagem. Eu e meu marido estamos cimentando o quintal — conta a dona de casa.

E esse não é o único problema do local. A falta de iluminação pública e de uma rede de esgoto também são transtornos para os moradores.

— Eu construí os três esgotos das duas casas que tenho, mas não sei para onde vai esse esgoto aqui na rua. Luz aqui nesse pedaço só do poste que tem na minha casa. Até a lixeira fomos nós, moradores, que colocamos na estrada principal — reclama Maria de Fátima.

A iluminação pública também foi, por muitos anos, uma preocupação para os moradores do Parque Suécia, no bairro de Austin. O auxiliar de serviços gerias Samuel Matheus Silva, de 23 anos, disse que postes foram colocados no local há oito anos, mas, segundo ele, a região, hoje, tem problemas ainda maiores:

— A gente queria que as autoridades olhassem mais pra gente. O posto de saúde mais perto é o de Maraú, na Marileia, ou a UPA no Centro de Austin. O bairro precisa de uma creche, porque tem muitas crianças aqui. Outro problema é o esgoto, que não temos. Há algum tempo, fizeram uma caixa para a água da rua escoar, mas a gente continua sofrendo com as enchentes.

No mesmo bairro, na Rua 5, a dona de casa Ana Maria Lopes Maranhão, de 60 anos, colocou aterro e construiu sua calçada mais alta, para proteger a entrada de casa da água acumulada das chuvas:

— Uma rua vira rio. A outra vira lama. A gente precisa urgentemente de asfalto. Mas os candidatos só aparecem aqui de quatro em quatro anos. Quando ganham a eleição, somem. Só aparecem na próxima.

Resposta da Prefeitura de Nova Iguaçu

A prefeitura está investindo em saneamento básico, pavimentação, drenagem, entre outras ações, em todas as Unidades Regionais de Governo de Nova Iguaçu (URGs), como Centro, Posse, Comendador Soares, Cabuçu, Km 32, Austin, Vila de Cava, Miguel Couto e Tinguá. O Parque Suécia, em Austin, e o bairro Três Marias, em Campo Alegre deverão ser atendidos em futuras ações de benfeitorias da prefeitura. Sobre a falta de iluminação pública, a Secretaria Municipal de Serviços Públicos de Nova Iguaçu vai enviar uma equipe ao local para avaliar as necessidades.

A Empresa Municipal de Limpeza Urbana (Emlurb) informa que a coleta na Estrada do Mato Grosso é feita regularmente de segunda a sábado e, no bairro, às terças, quintas-feiras e aos sábados. No local há um ponto viciado de descarte irregular de entulhos, galhos de árvore e lixo. Para denunciar, basta entrar em contato através do telefone 0800 0232626 ou por email: tgo@emlurb-novaiguacu.rj.gov.br

Resposta da Cedae

A Cedae elaborou projeto para obras de esgotamento nas localidades citadas e estuda a viabilidade para sua implantação. De toda forma, a Cedae reitera a importância de que a construção de qualquer imóvel seja precedida de consulta à Companhia para emissão de Declaração de Possibilidade de Esgotamento Sanitário (DPE), documento que atesta a possibilidade de conexão às redes da Companhia.