Baleia diz que Lira flerta com radicais e que governo tenta cooptar deputados com emendas

DANIELLE BRANT
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***FOTO DE ARQUIVO***BRASILIA, DF,  BRASIL,  07-01-2021 - O deputado Baleia Rossi (MDB-SP), candidato à presidência da câmara dos deputados, durante entrevista em seu gabinete. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***FOTO DE ARQUIVO***BRASILIA, DF, BRASIL, 07-01-2021 - O deputado Baleia Rossi (MDB-SP), candidato à presidência da câmara dos deputados, durante entrevista em seu gabinete. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O deputado Arthur Lira (PP-AL), candidato do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) à presidência da Câmara, flerta com grupos radicais e extremistas, enquanto o governo tenta cooptar deputados com emendas, afirmou neste sábado (30) o rival do líder do centrão na disputa, deputado Baleia Rossi (MDB-SP).

Baleia participou da entrega de uma proposta de prorrogação do auxílio emergencial feita pelo Cidadania. O texto prevê um valor de R$ 300 por seis meses, com um custo de R$ 114 bilhões no período. Os recursos seriam levantados via créditos extraordinários.

Em entrevista concedida na sequência, Baleia, candidato do atual presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), criticou a interferência do governo na eleição da Câmara e lamentou a postura do líder do centrão.

"Infelizmente o nosso adversário flerta com grupos radicais e extremistas, que, há pouco tempo, pregavam o fim e o fechamento do Congresso Nacional, fizeram manifestações esdrúxulas na frente do Supremo Tribunal Federal, atacando as nossas instituições", disse.

O emedebista acusou ainda o governo de cooptar parlamentares para eleger o presidente da Casa, interferindo em outro Poder.

"Vejo com muita preocupação essa tentativa de atrair os parlamentares com cargos, com emendas", afirmou. "Eu não sou contra as emendas, mas a crítica que nós fazemos é que não estamos vendo uma tentativa de criar uma base parlamentar com agenda, e sim simplesmente cooptar parlamentares para eleger o presidente da Câmara dos Deputados, interferindo num outro Poder."

Ele criticou ainda a promessa de emendas e recriação de ministérios para abrigar indicados do centrão em troca de votos em Lira na Câmara.

"Se tivessem a mínima convicção de que teriam uma vitória assegurada, não teriam disponibilizado, por parte do governo, inclusive a promessa de recriar quatro ministérios, R$ 3 bilhões de emendas", disse. "No meio de uma pandemia que falta recurso para comprar vacina você vai disponibilizar para fazer com que um candidato ganhe ou tente ganhar, porque não vai ganhar, a eleição."

Neste sábado, Bolsonaro disse que não está prevista a recriação dos ministérios da Pesca, da Cultura e do Esporte, ao contrário do que indicou na sexta (29).

Ameaçado de traições dentro do próprio partido, Baleia afirmou ver o movimento com tranquilidade e disse que os parlamentares de partidos que apoiam seu bloco, mas que declaram voto em Lira, precisam "mostrar para o governo que estão declarando apoio ao nosso adversário".

"Aqueles que estão no bloco do meu adversário e que querem uma Câmara independente e que têm zelo pela democracia, eles estão quietos, porque temem a perseguição por parte do governo."

Baleia afirmou ainda que a Câmara não vai se ajoelhar ao Palácio do Planalto ou se diminuir. "Entendo que a nossa vitória, e não é uma vitória pessoal, é a vitória de uma causa, significa a defesa da nossa democracia, das nossas instituições, da ciência."

A eleição para a mesa diretora da Câmara ocorre nesta segunda-feira (1º). Para ser eleito presidente em primeiro turno, o candidato precisa de 257 votos -são 513 deputados no total. Se nenhum deputado obtiver esse número, os dois mais votados disputam o segundo turno.