Baleia Rossi (MDB) lança candidatura à Presidência da Câmara e rejeita submissão ao Executivo

Ricardo Brito
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Por Ricardo Brito

BRASÍLIA (Reuters) - Com a maior aliança partidária e o apoio do atual presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), o deputado e presidente do MDB, Baleia Rossi (SP), lançou oficialmente nesta quarta-feira sua candidatura ao comando da Casa com um discurso de defesa "intransigente" da democracia, rejeição da submissão ao Poder Executivo e favorável à prorrogação do auxílio emergencial em meio à pandemia do novo coronavírus.

"Temos uma Câmara independente, a nossa Câmara Federal é livre. Temos o dever de fiscalizar e acompanhar as ações do Executivo, exatamente por isso a Câmara não pode ser submissa porque se for submissa ela não acompanha, não fiscaliza e não participa das questões importantes para o nosso país", disse.

Ao lado de Maia e parlamentares de diversos partidos, Rossi agradeceu aos apoios recebidos e destacou que, desde a redemocratização, não se havia "um movimento de união de partidos que pensam diferente formando uma frente ampla" e existe um motivo para isso.

"A sociedade espera uma luta por democracia e por liberdade. Somos diferentes, pensamos diferente o papel do Estado, a ação da economia e nós divergimos. Mas a beleza da democracia está no respeito e na boa convivência de quem pensa diferente de você", disse, ao acrescentar que não é por pensar diferente que se deve "agredir" e "matar".

"Tenho certeza que a defesa da nossa Constituição cidadã, a luta intransigente pela democracia, o respeito à ciência e a busca de vacina para todos é muito maior do que qualquer diferença", acrescentou.

O deputado do MDB defendeu que é preciso ter projetos para que a economia brasileira volte a se desenvolver novamente, quer a retomada da agenda de reformas, citando a tributária, e ressaltou que os objetivos dos apoiadores da sua chapa são comuns, exemplificando a geração de renda e apoio para que os vulneráveis tenham uma oportunidade de vida melhor no país.

AUXÍLIO EMERGENCIAL

Após exaltar o papel da Câmara em aprovar o auxílio emergencial inicialmente de 600 reais por mês, Baleia Rossi disse, sob aplausos, que deve se retomar as discussões sobre o retorno da ajuda. O pagamento do auxílio se encerrou no final do ano, mesmo com os elevados números de contágio e mortes por Covid-19 registrados recentemente.

"Precisamos voltar a debater o auxílio emergencial, a pandemia não acabou", disse.

"Entendo que nós temos de buscar uma solução ou aumentando o Bolsa Família ou aumentando o auxílio emergencial para os mais vulneráveis", reforçou ele, que foi o único a se pronunciar durante a solenidade de lançamento da candidatura.

Tanto o presidente Jair Bolsonaro quanto o ministro da Economia, Paulo Guedes, já se posicionaram publicamente contra a retomada do auxílio emergencial neste ano.

No papel, Rossi conta com o apoio de 11 partidos de todas as matizes políticas: DEM, MDB, PSDB, PSL, PT, PDT, PSB, Cidadania, Rede, PV e PCdoB. Em tese, isso poderia lhe dar maioria na Câmara caso conseguisse todos os votos, mas como a votação é secreta não é possível garantir que todas bancadas votarão em bloco nele.

O deputado do MDB lançou sua candidatura para comandar a Casa pelos próximos dois anos com o mote "Câmara Livre, Democracia Viva".

O emedebista deverá ter como principal adversário o líder do PP na Câmara, Arthur Lira (AL), que contou com o apoio de partidos do chamado centrão e de Bolsonaro.

A sucessão para o comando da Câmara ocorre no início de fevereiro e terá impacto na agenda de votações de interesse do governo Bolsonaro durante e após a pandemia de Covid-19, além da sucessão presidencial.

Parlamentar com trânsito em partidos de diferentes espectros ideológicos, Arthur Lira tem apostado na traição a partir do voto secreto --inclusive no MDB de Baleia Rossi e do DEM de Rodrigo Maia-- para vencer a disputa, segundo um aliado do deputado do PP disse à Reuters.

Essa fonte prefere falar em "dissidentes", destacando que, apesar da indicação de apoio das cúpulas partidárias, não há uma obrigatoriedade de se alinhar o voto ao defendido pelas legendas.

Mesmo com o apoio declarado de Bolsonaro, Lira tem pregado um fortalecimento do que chama de gestão interna da Câmara, com distribuição de relatorias de projetos respeitando o critério do tamanho das bancadas, segundo essa fonte.

Custeado pelo seu partido, o deputado do PP também tem viajado pelas regiões brasileiras em busca de apoio de parlamentares e de governadores dos Estados. Esta semana está na Região Norte.