Bancada do PSL se reúne para “lavar roupa suja”, mas não cogita abandonar sigla

Luciano Bivar (PSL-PE) é um dos protagonistas dos conturbados dias pelos quais passa o PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro - Foto: REUTERS/Adriano Machado
Luciano Bivar (PSL-PE) é um dos protagonistas dos conturbados dias pelos quais passa o PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro - Foto: REUTERS/Adriano Machado

Em uma reunião que durou mais de duas horas na liderança do partido na Câmara, os deputados do PSL reclamaram das decisões da Executiva partidária, mas decidiram “abaixar a fervura” publicamente da briga que ameaçou implodir a sigla nos últimos dias. Segundo um dos deputados que participou da reunião no início da noite desta quarta-feira (9), a reunião foi cordial, mas todos deixaram bem claro suas insatisfações com a Executiva do partido.

O discurso oficial é de pacificação sigla e de que foi passado o “cachimbo da paz” na bancada. Apesar do ponto comum de que nenhum deles quer sair do PSL, a insatisfação com a condução de Luciano Bivar (PSL-PE) à frente do partido segue entre os pesselistas.

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A briga se tornou pública quando o presidente Jair Bolsonaro (PSL) aconselhou um apoiador a “esquecer o PSL” e dizer que Bivar, presidente nacional PSL, estava “muito queimado”. Desde então, os boatos de que Bolsonaro deixaria o partido ajudou a tensionar o clima entre os parlamentares. O estopim, entretanto, foi o novo estatuto do partido, publicado na semana passada pelo Diário Oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Diferentemente do acordado com Bolsonaro na época em que ele se filiou ao PSL para concorrer à Presidência da República, as mudanças no estatuto não atenderam os pedidos de incluir cláusulas de teor mais conservador nas regras partidárias.

Bivar não informou a Bolsonaro ou à bancada que o estatuto estava pronto e já tinha sido homologado no TSE. Todos ficaram sabendo apenas após o novo estatuto ser divulgado pelo Tribunal Eleitoral. Deputados reclamam de falta de transparência nas ações da Executiva - segundo um deles, ampliada por Bivar com seu grupo político e até familiar -, que sequer sabem o que é feito com o dinheiro do fundo partidário que a sigla recebe mensalmente. “Ninguém sabe o que é feito com os R$ 8 milhões que o partido recebe por mês”. Não há regras de compliance ou para transparência.

Toda a bancada concorda em um único ponto: não deixar a sigla. Parte dos deputados da sigla esteve no Palácio do Planalto para conversar com Bolsonaro e demonstrar apoio em relação à insatisfação com Bivar. Contudo, outra ala do partido evita tomar lado por temer retaliação do poder da caneta do Bivar - que pode retirar poder dos dissidentes ao dissolver comissões provisórias do partido nos estados. O receio é que a retaliação reflita em desorganização para as eleições municipais do ano que vem

Apesar dos panos quentes que uma parte da bancada tenta sustentar para o público, os deputados exigem mudanças na Executiva. Em uma nota de apoio publicada hoje, os deputados pedem que a “atual direção adote novas práticas, com a instauração de mecanismos que garantam absoluta transparência na utilização de recursos públicos e democracia nas decisões”.

Uma parte da bancada na Câmara foi ao Planalto hoje para conversar com Bolsonaro. Outra turma deve ir amanhã (quinta, 10) conversar com Bivar, que não veio à Câmara hoje, mas que está “muito chateado”, segundo outro deputado. A conversa é considerada por outro como “de bom tom” para exigir as mudanças no partido.