Bancada evangélica se coloca '100% ao lado' de Moro

Arquivo/Agência Brasil

Uma das bancadas da Câmara mais próximas do presidente Jair Bolsonaro (PSL), a ala evangélica anunciou apoio incondicional ao ministro Sergio Moro, da Justiça. As informações são de Mônica Bergamo em sua coluna na ‘Folha de S.Paulo’.

A colunista afirma ter conversado com o líder dos evangélicos, deputado Pastor Marco Feliciano (Pode-SP). “Ele [Moro] está blindado por nós”, teria dito ele à jornalista.

Na última quarta (12), Bergamo informa que cerca de 30 parlamentares evangélicos se encontraram com Moro e fizeram uma oração para abençoá-lo, como contou o próprio Feliciano.

“Fizemos uma oração e abençoamos a vida dele. Pedimos que Deus dê tranquilidade ao ministro”, diz o parlamentar.

O deputado esteve em comitiva, ao lado de Bolsonaro e Moro, que viajou até Belém (PA) na quinta (13) para participar da celebração dos 108 anos da Assembleia de Deus no Brasil.

Lá, Feliciano afirma que Moro foi “ovacionado”.

Entenda o caso

Mensagens divulgadas no domingo (9) pelo site The Intercept Brasil mostram que Moro e Deltan trocavam colaborações quando integravam a força-tarefa da Lava Jato.

Segundo as mensagens, Moro sugeriu ao Ministério Público Federal trocar a ordem de fases da Lava Jato, cobrou a realização de novas operações, deu conselhos e pistas e antecipou ao menos uma decisão judicial.

O pacote de diálogos que veio à tona inclui mensagens privadas e de grupos da força-tarefa no aplicativo Telegram de 2015 a 2018.

Para advogados e professores, a maneira como inicialmente o atual ministro da Justiça e o procurador reagiram à divulgação das conversas, sem contestar o teor das afirmações e defendendo o comportamento adotado na época, aponta que o conteúdo é fidedigno e que ele pode servir de base para reverter decisões da Lava Jato, por exemplo, contra o ex-presidente Lula.

Por esse raciocínio, o fato de o material ter sido provavelmente obtido por meio de um crime faz com que ele não tenha como ser utilizado para acusar um suspeito, mas possa servir para absolver um acusado.

Em um segundo momento, tanto Moro como Deltan passaram não apenas a atacar o crime do vazamento como também colocar em dúvida a integralidade das mensagens divulgadas, ao não afastar a possibilidade de distorções.

Segundo a legislação, é papel do juiz se manter imparcial diante da acusação e da defesa. Juízes que estão de alguma forma comprometidos com uma das partes devem se considerar suspeitos e, portanto, impedidos de julgar a ação. Quando isso acontece, o caso é enviado para outro magistrado.