Banco Central Europeu volta a elevar os juros em 0,75 ponto percentual para combater inflação

O Banco Central Europeu (BCE) deu continuidade ao seu processo de aperto monetário ao elevar a sua taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual a fim de combater uma inflação elevada e persistente. O banco também anunciou que está alterando os termos de seus empréstimos concedidos a bancos comerciais.

Com o novo aumento, a taxa de depósito de referência do banco passa a ser de 1,5%, a mais alta desde janeiro de 2009. A taxa de refinanciamento fica em 2% e a taxa “overnight” em 2,25%.

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Em setembro, o banco já havia elevado a taxa em 0,75 ponto percentual, o maior em uma reunião desde 1999. Em julho, a elevação foi de 0,50 ponto percentual, a primeira em 11 anos.

No anúncio, o Conselho do BCE destaca que espera aumentar ainda mais as taxas de juro, para assegurar o regresso da inflação para a meta de 2%. O banco afirma que "fez progressos substanciais na retirada da acomodação da política monetária".

"Nos últimos meses, a alta dos preços de energia e alimentos, os gargalos na oferta e a recuperação da demanda pós-pandemia levaram a um aumento das pressões sobre os preços e ao aumento da inflação. A política monetária do Conselho do BCE visa reduzir o apoio à procura e prevenir o risco de uma subida persistente das expectativas de inflação", ressalta o banco.

No mês passado, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) da zona do euro atingiu o recorde de 9,9% no acumulado em 12 meses, segundo o escritório de estatística da União Europeia (Eurostat).

Além disso, a taxa de desemprego está em patamar baixo, na casa dos 6,6%, o que intensifica o processo inflacionário.

O BCE foi um dos últimos BCs de economias desenvolvidas a elevar os juros. Movimentos semelhantes já foram vistos nos Estados Unidos, com quatro elevações nas taxas só esse ano, Canadá, Austrália, Inglaterra, entre outros.

A elevação em 0,75 ponto percentual já era esperada pelo mercado apesar dos riscos de uma recessão na Europa, intensificados pelos desdobramentos na guerra na Ucrânia, entre eles a crise energética.

Além disso, há a pressão política, com críticas recentes da nova primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, e após o presidente da França, Emmanuel Macron, alertar que estava preocupado com os bancos centrais “quebrando a demanda” para combater a inflação.

Alterações em operações com bancos

O Conselho do BCE decidiu também alterar os termos e condições da terceira série de operações direcionadas de refinanciamento de longo prazo (TLTRO III).

Durante a crise da pandemia, o BCE concedeu empréstimos mais baratos a credores comerciais. Foi esse instrumento que permitiu aos bancos continuarem emprestando durante o período, ajudando a evitar uma crise de crédito.

Na ocasião, no entanto, as taxas de juros estavam em território negativo. Agora que foi iniciado um período de elevação nos juros, a autoridade monetária quer evitar que centenas de bancos possam ganhar com seus empréstimos subsidiados simplesmente colocando-os de volta em depósito no banco central.

No comunicado, o BCE afirma que as condições precisam ser recalibradas "para garantir que seja consistente com o processo mais amplo de normalização da política monetária e para reforçar a transmissão dos aumentos das taxas de juros às condições de empréstimos bancários".

Assim, o BCE decidiu ajustar as taxas de juro aplicáveis ​​à TLTRO III a partir de 23 de novembro de 2022. A medida visa aumentar a taxa de juros que os bancos pagam sobre eles. O BCE informou que os bancos teriam oportunidades extras para pagar os empréstimos antecipadamente, agora que eles se tornaram menos atraentes.

"O Conselho do BCE está pronto para ajustar todos os seus instrumentos dentro do seu mandato para garantir que a inflação se estabilize em sua meta de 2% no médio prazo", destaca o banco, no documento.

Em relação aos programas de compras de títulos, o BCE destacou que reinvestirá recursos de títulos do Programa Emergencial Pandêmico de Compras (PEPP, na sigla em inglês) até pelo menos o fim de 2024. O Programa de Compra de Títulos deve continuar sendo reinvestido em um período prolongado.