Banco Central projeta pico de 10,2% na inflação deste trimestre

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*ARQUIVO* BRASÍLIA, DF, BRASIL, 25-04-2013, 19h00: Cliente, entra no Banco Central, no Setor Bancário Sul, em Brasília (DF). (Foto: Sergio Lima/Folhapress)
*ARQUIVO* BRASÍLIA, DF, BRASIL, 25-04-2013, 19h00: Cliente, entra no Banco Central, no Setor Bancário Sul, em Brasília (DF). (Foto: Sergio Lima/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Para o BC (Banco Central), a inflação acumulada deve chegar a dois dígitos em setembro. De acordo com relatório trimestral divulgado nesta quinta-feira (30), a projeção é que o indicador termine este trimestre em 10,2%. Nos últimos três meses do ano, a expectativa é que a alta de preços arrefeça e desacelere para 8,5% ao final de 2021.

Em agosto, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) alcançou a maior taxa para o mês em 21 anos, com 0,87%, e chegou perto dos dois dígitos no acumulado de 12 meses, com 9,68%. No relatório anterior, de junho, o BC estimava que a inflação do mês seria de 8,5%.

A autoridade monetária afirma que a probabilidade de a inflação exceder o teto da meta em 2021 é de 100%. No relatório anterior, o percentual era de 74%.

A meta fixada pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) é de 3,75% -com 1,5 ponto percentual de tolerância para cima e para baixo. Dessa forma, para ficar dentro do intervalo determinado, o indicador deveria terminar o ano abaixo de 5,25%. A inflação acumulada no ano até agosto já é de 5,67%, acima deste patamar.

Para 2022, o BC vê 17% de chance de a inflação estourar o teto da meta, que é de 5% (3,5% com tolerância de 1,5 ponto percentual). A projeção central é de 3,7%.

A projeção do BC é que a inflação fique em 9,22% no acumulado em 12 meses até novembro, com variação de 0,41% no mês. Além disso, a estimativa é de alta de 1,11% e 0,45% em setembro e em outubro, respectivamente.

O BC atribui a escalada de preços a sucessivos choques, como mudança na demanda por alimentos na pandemia, problemas em safras com chuvas e geadas, elevação nos preços das commodities acompanhada de desvalorização do real, e agora a crise hídrica, que encareceu a energia elétrica.

"A surpresa altista [da inflação] foi bastante disseminada entre os segmentos do IPCA. Em relação aos preços administrados, a surpresa com a alta dos preços dos derivados de petróleo e energia elétrica mais do que compensou a surpresa com o recuo nos preços de medicamentos e com o tamanho da queda nas tarifas de plano de saúde", afirma o relatório.

"Em relação aos preços de alimentos, destaca-se a elevação maior que a esperada nos preços de proteínas animais e de alimentos in natura, estas refletindo condições climáticas desfavoráveis. Os preços de bens industriais continuaram mostrando alta mais persistente que o esperado. Apesar da surpresa disseminada entre itens desse segmento, foram particularmente importantes os efeitos dos preços de produtos afetados por restrições de oferta (veículos) e pela recuperação da mobilidade (vestuário)", pontua o BC.

"Por fim, também surpreenderam os preços de serviços, notadamente os que compõem a inflação subjacente do segmento, com proeminência para aluguel e consertos de artigos de residência e automóveis", diz.

O BC ressalta que a inflação deve continuar elevada no curto prazo.

"A pressão sobre os preços deve continuar se revelando intensa e disseminada. O choque sobre preços de bens industriais não deve se dissipar no curto prazo, como sugerem indicadores recentes de preços ao produtor e a continuidade dos gargalos nas cadeias de produção que afetam alguns segmentos", diz o documento.

A retomada do setor de serviços, o mais prejudicado pela pandemia de Covid-19, também deve elevar preços no curto prazo, segundo o relatório.

"Ao mesmo tempo, os preços de serviços devem continuar em trajetória de normalização, em linha com a recuperação da demanda no setor. Assim, as medidas de inflação subjacente devem se manter em patamar elevado nesse horizonte", ressalta.

A autarquia destaca ainda que deve haver alta em alimentos e em preços administrados, decorrente da crise hídrica.

"Adicionalmente, também se espera alta significativa em preços de alimentos e preços administrados, destacando-se a forte alta nas tarifas de energia que decorre do acionamento da bandeira tarifária 'escassez hídrica'", afirma.

No pior cenário simulado pela autoridade monetária, a inflação pode chegar a 8,9% em 2021 e a 4,6% em 2022.

Para o PIB (Produto Interno Bruto), o BC espera crescimento de 4,7% neste ano, abaixo das expectativas de mercado, que estão em torno de 5%. Em 2022, a autarquia projeta alta de 2,1%, acima das estimativas de economistas ouvidos na pesquisa Focus desta semana, que é de 1,57%.

"Três riscos relevantes [para a retomada da economia], já citados no relatório anterior, continuam presentes. O eventual agravamento da crise hídrica, especialmente se forem necessárias restrições ao consumo de energia elétrica. A evolução da pandemia de Covid-19 segue sendo monitorada com atenção, mas já em cenário de alcance maior da vacinação. Por fim, ações que piorem as expectativas a respeito da trajetória fiscal podem pressionar os prêmios de risco e a confiança dos agentes, com impactos negativos, possivelmente defasados, sobre a atividade econômica e os investimentos em particular", ressalta o relatório.

O BC pondera que a projeção de crescimento para 2022 segue com alto grau de incerteza.

"Esta previsão ainda apresenta grau elevado de incerteza e está apoiada nas seguintes hipóteses: continuidade do arrefecimento da crise sanitária, diminuição gradual dos níveis de incerteza econômica ao longo do tempo, manutenção do regime fiscal e ausência de restrições diretas ao consumo de eletricidade", pontua.

No documento, a autoridade monetária reafirma o peso da política fiscal nas curvas de juros.

"Houve piora da percepção de analistas de mercado sobre o risco fiscal e aumento relevante da curva de juros -com impacto sobre o custo de financiamento da dívida pública no longo prazo. Essa piora, no entanto, ainda não é evidente nas projeções de dívida no Sistema de Expectativa de Mercado do Banco Central (pesquisa Focus)", ressalta.

"O Copom reconhece que o risco fiscal segue elevado, apesar da melhora recente nos indicadores de sustentabilidade da dívida pública. Caso as recentes dúvidas quanto à continuidade do processo de consolidação fiscal não sejam dirimidas, essa melhora recente pode não se manter. A própria percepção, pelos agentes econômicos, de uma possível mudança do regime fiscal pode ter impactos sobre prêmios de risco do país, a taxa de juros neutra, as expectativas de inflação e, consequentemente, a política monetária", completa.

O BC estimou ainda crescimento de 12,6% no mercado de crédito neste ano e de 8,5% em 2022.

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