Banco Central recolhe R$ 25 milhões em dinheiro falso por ano no Brasil; saiba qual a nota mais falsificada

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Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Por Taís Seibt

Em 20 anos, o Banco Central recolheu R$ 508 milhões em dinheiro falso no Brasil, o que equivale a cerca de R$ 25 milhões por ano desde 2000, conforme dados abertos do BC analisados pela agência Fiquem Sabendo.

Foram mais de 10 milhões de notas falsificadas retiradas de circulação até março de 2020, data da última atualização. A nota de R$ 50 foi a mais comum, com 4,4 milhões de cédulas fraudulentas recolhidas no período. Embora em menor quantidade (2,5 milhões de cédulas), as notas de R$ 100 representaram o maior valor em dinheiro falso: R$ 246 milhões, quase metade do total nas duas décadas.

No período analisado, a média de cédulas falsas recolhidas se manteve estável entre 400 e 500 mil por ano. Apenas cinco Estados concentram 68,6% do total retirado de circulação pelo Banco Central desde 2000: São Paulo, com 3,5 milhões de cédulas falsificadas (35% do total) é o campeão, seguido por Rio de Janeiro e Minas Gerais, cada um com pouco mais de 1 milhão de notas falsificadas recolhidas no período, depois Paraná e Rio Grande do Sul, com mais de 600 mil cédulas falsas cada em 20 anos.

“R$ 25 milhões é um volume expressivo e quem acaba assumindo o prejuízo é a própria vítima no seu ambiente de negócio”, comenta o professor Anderson Denardin, coordenador do curso de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Ele explica que a falsificação compromete a credibilidade da moeda, por isso é fundamental o Banco Central realizar análises periciais das notas falsificadas para chegar aos fraudadores e acompanhar a evolução tecnológica dos criminosos, no sentido de orientar adaptações para blindar o sistema monetário de violações.

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Quanto à concentração das falsificações no Sudeste e Sul do país, Denardin observa que são regiões com mercados mais dinâmicos e padrão de renda mais alto. “Nesses lugares, a moeda falsa pode circular mais rapidamente e de forma mais intensa sem ser percebida”, diz. “No caso do Rio Grande do Sul e do Paraná tem ainda a questão da fronteira, onde é comum identificarmos operações do crime organizado para evasão de divisas”.

Segundo publicações em mídias sociais, a nova nota de R$ 200 já foi alvo de falsificações no Rio de Janeiro em agosto, sendo que passou a circular oficialmente somente em setembro deste ano. A cédula também foi lembrada no escândalo de corrupção envolvendo o senador Chico Rodrigues (DEM-RR), flagrado com dinheiro nas nádegas - algumas notas de R$ 200 incluídas. No levantamento oficial do Banco Central sobre falsificações, ainda não constam registros sobre fraudes com a nova cédula.

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