Banco Central reduz taxa básica de juros de 3,75% para 3%

Gabriel Shinohara
A taxa Selic também é o principal instrumento do BC para influenciar na inflação.

BRASÍLIA — O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduziu a taxa básica de juros, a Selic, de 3,75% para 3% nesta quarta-feira (dia 6). É a taxa mais baixa da série histórica. No comunicado, o BC sinalizou que pode fazer um novo corte na próxima reunião.

A decisão respondeu a efeitos da crise do coronavírus, que tem causado incertezas e impactos negativos nas economias do mundo todo. Analistas esperavam um corte menos agressivo, para 3,25%. A última vez que o BC cortou 0,75 pontos percentuais foi em outubro de 2017.

A Selic é a taxa em que bancos, cartões e instituições financeiras se baseiam para calcular os juros das diferentes modalidades oferecidas aos clientes. Com uma taxa Selic mais baixa, as outras também tendem a abaixar, tornando o crédito mais barato. 

Em 3% a taxa é considerada “estimulativa”, no sentido de estimular o crescimento da economia. Com financiamentos mais baratos, por exemplo, empresas e pessoas físicas podem tomar mais recursos para investir em negócios e empreendimentos.

No comunicado, o Copom avaliou que pode fazer um "último" ajuste na Selic na próxima reunião para "complementar o grau de estímulo necessário como reação às consequências econômicas da pandemia da Covid-19". O Comitê decidiu aguardar para analisar como a crise ira se comportar nos próximos meses para tomar uma decisão .

Na análise do Copom, a incerteza no cenário doméstico faz com que o espaço para um novo corte seja incerto e possivelmente pequeno. "Assim, o Copom optou por uma provisão de estímulo mais moderada, com o benefício de acumular mais informação até sua próxima reunião".

"No entanto, o Comitê reconhece que se elevou a variância do  seu balanço de riscos e ressalta que novas informações sobre os efeitos da pandemia, assim como uma diminuição das incertezas no âmbito fiscal, serão essenciais para definir seus próximos passos."

Na pesquisa semanal Focus, do BC, que expõe as expectativas do mercado para os principais indicadores econômicos, a previsão era um corte de 0,5 ponto percentual (p.p). Para o fim do ano, a expectativa é que a Selic caia mais 0,5 ponto percentual e termine em 2,75%.

A taxa Selic também é o principal instrumento do BC para influenciar na inflação.

Por exemplo, em um cenário de inflação alta, o Banco Central pode aumentar os juros, assim desestimulando a tomada de empréstimos e o consumo, o que diminuiria a inflação. Com a redução dos juros, o BC potencialmente diminui o custo de crédito no país.

Atualmente, a inflação está abaixo do centro da meta, em 3,3%. O centro da meta é de 4%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, ou seja, pode variar entre 2,5% e 5,5%.

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