Banco Mundial: pandemia pode deixar 70% das crianças brasileiras de até 10 anos sem compreender textos simples

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RIO - O fechamento das escolas, em resposta à pandemia, pode fazer com que 70% dos alunos brasileiros de até dez anos não consigam compreender textos simples, afirma estudo do Banco Mundial divulgado nesta quarta-feira.

O relatório, chamado “Agir agora para proteger o capital humano de nossas crianças: Os custos e a Resposta ao Impacto da pandemia da COVID- no Setor de Educação na América Latina e no Caribe”, usa o conceito de pobreza de aprendizagem, definida como o percentual de crianças com 10 anos de idade que é incapaz de ler e entender um texto simples.

Atualmente, sete estados proíbem aulas, mesmo em escolas privadas, presenciais. O Brasil passa, neste momento, por um crescimento acentuado no número de mortos e, segundo nota do Observatório Covid-19, este não é a hora das escolas abrirem.

Segundo o relatório do Banco Mundial, "a continuação do aprimoramento do alcance e da aceitação do ensino a distância para os grupos mais desfavorecidos, assim como a qualidade geral da aprendizagem remota, será fundamental para mitigar as perdas de aprendizagem e reduzir as desigualdades".

Ainda de acordo com a pesquisa, após 10 meses do fechamento das escolas (todo o ano acadêmico), o índice de pobreza de aprendizagem pode ter aumentado em mais de 20%, passando de 51% para 62,5%. Isso poderia ser equivalente a adicionar cerca de 7,6 milhões de crianças em idade escolar do ensino fundamental.

"Essas perdas não são as mesmas para todos os setores, elas afetam principalmente a parcela de renda mais baixa – o que poderia ter ampliado a já elevada lacuna socioeconômica em matéria de resultados na área de educação em 12%", diz a pesquisa.

— Esta é a pior crise na área de educação já vista na região, e estamos preocupados que possa haver consequências graves e duradouras para toda uma geração, especialmente para os setores mais vulneráveis” — disse Carlos Felipe Jaramillo, vice-presidente do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe. — Os governos devem tomar medidas urgentes para recuperar o terreno perdido e aproveitar esta oportunidade para melhorar os sistemas de educação, aproveitando as novas tecnologias.

Segundo o Banco Mundial, as políticas devem se concentrar em garantir que todas as crianças em idade escolar tenham acesso às escolas reabertas e em criar as condições para o aprendizado combinado e efetivo (misto de aulas presenciais e remotas nas mesmas escolas). Em nível regional, menos de 43% de escolas primárias e menos de 62% das secundárias têm acesso à internet para fins educacionais.

— A reabertura efetiva das escolas requer decisões administrativas e pedagógicas importantes — disse Emanuela Di Gropello, uma das principais autoras do relatório e Líder da Prática de Educação do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe. — É crucial fechar rapidamente o fosso digital que persiste e aproveitar a atual crise para promover as mudanças que eram necessárias mesmo antes da pandemia.

A República Dominicana é o país com os piores indíces e pode chegar a 93% dos alunos com pobreza de aprendizagem. O menos sofre é o Chile, com 59%.