Bancos e consultorias já esperam PIB abaixo de 1% em ano eleitoral

·3 minuto de leitura

RIO - As incertezas relacionadas ao risco político-fiscal, somadas à crise hídrica, desemprego e inflação disseminada têm levado alguns bancos e analistas a revisarem para baixo suas projeções de crescimento da economia para 2022.

O Itaú Unibanco revisou a projeção de crescimento do PIB de 5,7% para 5,3% em 2021, em razão do quadro de estagnação do PIB do segundo trimestre e dados recentes.

A projeção para o PIB de 2022 também foi revista. A estimativa de 1,5% passou para 0,5% em função da taxa de juros mais alta esperada, chegando a 9% ao ano.

Atualmente a taxa Selic está em 5,25%, e o Banco Central volta a se reunir nos dias 21 e 22 de setembro para discutir a política monetária.

O economista-chefe Mario Mesquita acrescentou, em relatório, que os fatores que impulsionaram o crescimento deste ano estão se esgotando.

"Vemos desaceleração do setorindustrial global e queda de preços de commodities anoque vem. Por último, a atividade econômica não sebeneficiará mais do impulso advindo da reabertura dosetor de serviços, algo que, na nossa visão, ficarárestrito ao segundo semestre deste ano" concluiu Mesquita.

O analista também destacou a preocupação com a crise hídrica, que impacta a inflação corrente, e quanto à trajetória das contas públicas. Um eventual descumprimento do teto de gastos em 2022, ano eleitoral, deve pressionar a taxa de câmbio.

O JP Morgan também revisou recentemente as projeções de crescimento para o PIB deste e do próximo ano. Relatório divulgado na segunda-feira aponta que a expectativa para o PIB deste ano passou de 5,1% para 5,2%, enquanto a projeção para o PIB de 2022 foi de 1,5% para 0,9%.

De acordo com os economistas da instituição, as taxas de juros mais elevadas e os ruídos institucionais se somam a um ambiente mais desafiador para o crescimento global.

A desaceleração da atividade chinesa, além de uma queda nos preços do minério de ferro tendem a reduzir ainda mais as previsões de crescimento "já abaixo da média do Brasil".

O banco também revisou a projeção da Selic de 7,5% para 9% diante do aumento da tensão política e das pressões inflacionárias.

Recessão técnica

A XP também divulgou hoje a revisão de projeções. Economistas da corretora destacaram que a perspectiva para este ano é de continuidade do processo de recuperação econômica, mas as projeções para 2022 seguem se deteriorando.

A projeção da casa foi reduzida de 1,7% para 1,3% em 2022. A estimativa não contempla um racionamento de energia, o que pode fazer o cenário ser ainda pior.

Rodolfo Margato, economista da XP, disse em entrevista à jornalistas que uma redução compulsória de 10% no consumo de eletricidade retira 1,2 ponto (percentual) do PIB, o que levaria o indicador a praticamente zero.

"Para o ano que vem tem elevação das incertezas, e estimamos variações (trimestrais do PIB) bem próximas a zero. Não dá para descartar um cenário de recessão técnica", afirmou o economista Rodolfo Margato, em entrevista à jornalistas.

Boletim Focus mostra deterioração do cenário

O Boletim Focus, do Banco Central, que concentra projeções dos analistas de mercado, indica uma deterioração das expectativas para o PIB.

Há duas semanas, o mercado esperava um avanço de 2% e agora estimam alta de 1,72% do PIB em 2022.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos