Bancos e consultorias revisam projeções e já veem Selic acima de 10% em 2022

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RIO e SÃO PAULO - Em meio à turbulência nos mercados, com a ameaças ao teto de gastos e pressão por mais despesas com programas sociais em ano eleitoral, bancos e consultorias já reveem suas projeções para a Selic, a taxa básica de juros. Algumas casas projetam juros acima de 10% em 2022.

Na próxima semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne, e economistas avaliam que a elevação da taxa já virá maior que a anteriormente esperada, com altas também mais fortes nos próximos encontros. Hoje, a Selic está em 6,25%.

Alguns relatórios foram distribuídos na quinta-feira, antes da debandada de secretários da pasta da Economia, o que pode agravar ainda mais a percepção da deterioração do quadro fiscal do país, levando a novas revisões.

Até agora, não foram indicados substitutos para o secretário do Tesouro e Orçamento, Bruno Funchal, nem para o secretário do Tesouro Nacional, Jeferson Bittencourt. Ambos pediram demissão.

'O que for preciso'

A revisão mais agressiva para a reunião do Copom da semana que vem, por enquanto, é a do UBS. O banco prevê elevação de 1,5 ponto percentual nos dois encontros que serão feitos ainda neste ano. A previsão anterior era de 1 ponto.

Com mais aperto, a taxa deve fechar 2021 em 9,25%, ante 8,25% previstos anteriormente. Para 2022, o UBS prevê que a Selic alcance 10,25%, maior patamar desde desde julho de 2017.

O relatório do UBS é assinado pelos economistas Alexandre de Azara e Fabio Ramos. No documento, os analistas dizem que "o que for preciso é, de fato, o que for preciso", em referência à fala recente do presidente do BC, Roberto Campos Neto, de que a autarquia fará o "que for preciso" para a ancoragem da inflação no médio e longo prazos.

Para conseguir pagar um benefício de R$ 400 no novo Auxílio Brasil, que vai substituir o Bolsa Família, o governo quer mudar a regra do teto de gastos. A deterioração das contas públicas contribui para a alta do dólar e pressiona inflação. E os juros são um dos instrumentos para conter esse avanço de preços e a valorização da moeda americana.

Inflação persistente

Também na quinta-feira, o Morgan Stanley elevou sua projeção para alta da Selic nos dois próximos encontros do Copom para 1,25 ponto percentual e já vê a Selic a 9,75% no ano que vem.

"O processo inflacionário parece mais espalhado e e persistente, devido a fatores locais e globais, como petróleo e o real", diz o relatório.

O documento também cita do Auxílio Brasil. "Apesar do formato final ainda não ter sido anunciado, ele já coloca em risco a credibilidade da sustentabilidade fiscal".

O Credit Suisse também prevê alta de 1,25 ponto percentual nas duas reuniões deste ano e novos ajustes em 2022, elevando a Selic a 8,75% neste ano e 10,5% no ano que vem.

O banco diz que a licença para gastar mais ou uma mudança permanente no teto de gastos "representa uma mudança no arcabouço fiscal brasileiro e piora nos fundamentos, o que vai exigir uma política monetária mais assertiva".

Trava para investimentos

O Credit também revisou o crescimento do PIB para baixo de novo. Para 2021, o crescimento foi revisado de 5,3% para 5%. Para 2022, prevê avanço de 0,6%, ante 1,1% anteriormente.

"Esperamos que o aperto nas condições financeiras, inflação e incertezas mais elevadas afetem o consumo e os investimentos neste ano e no próximo", escreveram os economistas Solange Srour e Lucas Vilela em relatório.

Em relatório divulgado nesta sexta-feira, os analistas do Deutsche Bank, Ninghao Sha e Drausio Gioacomelli, afirmam a Selic deverá subir até 10,5% no atual ciclo de alta, sem detalhar quando esse patamar será aingido.

Para os analistas, apesar de uma política fiscal permissiva, o aperto monetário do BC têm impedido até agora a desancoragem das expectativas de inflação. Em 2022, prevê o banco, o IPCA deverá estar próximo de 4%, mas meta é de 3,5% em 2022.

A Western Asset também revisou suas projeções. Vê a Selic em 2021 a 9,25% e 10,5% em 2022.

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