Banda renasce na Praça São Salvador e lança tributo aos 110 anos de Noel Rosa

Priscilla Aguiar Litwak
·2 minuto de leitura
divulgação/guilherme logullo

RIO — A ideia era matar a saudade de quando, nos idos de 1980, Jorge Moraes criou uma banda de rock, chamada Oficinas. Mas os ensaios no estúdio em frente à Praça São Salvador, em Laranjeiras, tornaram-se mais frequentes, e o resultado foi além das expectativas. Com um som reformulado e novos integrantes, a banda foi retomada, mas com outro nome de batismo. Surgiu, então, os Salvadores Dali, uma referência à tradicional praça do bairro. Em 2019, o local foi escolhido como palco para o show de lançamento do primeiro álbum. O segundo trabalho, o EP “Nos passos de Noel”, e quatro videoclipes, foram lançados sexta-feira passada, no aniversário de 110 anos de Noel Rosa.

Moraes conta que a banda surgiu sem perspectiva profissional, nas duas vezes. Mas agora, com as facilidades tecnológicas, foi possível tirar um projeto de juventude do papel.

— Naquela época, eu e o Nelson Ricardo formamos o Oficinas e nos divertimos muito, mas seguimos a carreira acadêmica, eu em Filosofia e ele em Sociologia. Decidimos relembrar o passado e ficamos impressionados com o resultado. A partir daí, outros amigos foram aderindo ao projeto. O Nelson não pôde continuar tocando, mas é o compositor de todas as nossas músicas. E como a complexidade dos arranjos e até a sonoridade já não eram as mesmas do Oficinas, resolvemos criar um novo nome.

Moraes explica que, apesar da esperada relação, a homenagem ao pintor espanhol é apenas casual e que a praça em frente ao estúdio, a real homenageada, também deu nome a uma música da banda.

— O nome da praça nos inspirou. Mas para não parecermos santos tiramos o São e colocamos o Dali (sem acento), pois queríamos dar uma noção de lugar. A homenagem ao pintor foi por acaso. Até porque o surrealismo dele tinha uma referência importante na impermanência do tempo, e nossa questão é mais fixada nos lugares, bairros etc. Como gratidão à praça, incluímos uma faixa instrumental chamada “São Salvador” em nosso álbum de 2019 — conta.

Moraes revela que o primeiro álbum da banda foi o ponto de partida para o segundo. No trabalho de estreia havia apenas sete faixas, e era necessário uma oitava música. “Aí é que entra a história dos Salvadores Dali com Noel”, diz.

— De última hora resolvemos rearranjar “Três apitos”, que abre o novo EP — conta.

Mas por se tratar de um ano atípico, os ensaios no estúdio foram suspensos e a gravação aconteceu de maneira remota, com Guilherme Logullo (vocais), Jorge Moraes (contrabaixo), Robson Baptista (sax), Jorge Casagrande (bateria) e Márcio Meirelle (guitarra), cada um em sua casa. Além dde “Três apitos” (1933), o EP traz o primeiro sucesso de Noel, composto em 1929, “Com que roupa”, além de “Tipo zero” e “Palpite infeliz”.

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