Bandidos do Pará chefiam áreas do tráfico no Rio

Bandidos de fora do Rio não têm se estabelecido no estado apenas para se esconder, mas já começam a ocupar funções no tráfico de drogas local. Um traficante vindo do Pará, na Região Norte, é suspeito de comandar a venda de drogas em dois bairros em Itaboraí, na Região Metropolitana do Rio, com o auxílio de dois conterrâneos. Uma investigação da Polícia Civil fluminense aponta Leonardo Costa Araújo, o Léo 41, como o responsável pelo tráfico em Porto das Caixas e Visconde, localidades que até o ano passado eram dominadas pela milícia. Léo é acusado de ser chefe da maior facção criminosa do Rio no Pará e é considerado foragido em seu estado de origem.

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O criminoso fica baseado na Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha, de onde comanda o tráfico nos bairros de Itaboraí e também no Bengui, em Belém. No dia 23 de maio deste ano, uma operação policial na Vila Cruzeiro deixou 23 mortos, entre eles três paraenses.

Migração vem desde 2018

Segundo as investigações, Léo ganhou o comando dos bairros de Itaboraí dos traficantes Wilton Carlos Quintanilha, o Abelha, e de Edgar Alves de Andrade, o Doca, integrantes da cúpula da maior facção criminosa do Rio. O inquérito busca apurar o que motivou essa concessão dos criminosos ao paraense.

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As investigações das polícias Civil do Rio e do Pará já detectam a migração de traficantes do estado do Norte do país para o Rio pelo menos desde 2018, com uma intensificação nos últimos dois anos. Essa foi a a primeira vez, no entanto, que se constatou um paraense no comando do tráfico em terras fluminenses. Léo chegou ao Rio há cerca de dois anos para fugir das autoridades paraenses.

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Atualmente, segundo informações da Polícia Civil do Pará, a cúpula da facção no estado está escondida em favelas no Rio. Além de Léo, estão no Rio Anderson Souza Santos, o Latrol, David Palheta Pinheiro, o Bolacha e Oriscarmo Rodrigues Rocha, o Ouri. Os quatro ocupam os cargos mais altos da organização criminosa. Os investigadores acreditam que todos estejam usando identidades falsas.

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De acordo com as investigações da Polícia Civil do Rio, Latrol e Bolacha são os principais comparsas de Léo 41 e o auxiliam no comando do tráfico em Itaboraí. Todos têm como base o Complexo da Penha, mas recentemente, após a operação com 23 mortos na comunidade, tiveram que se refugiar na Rocinha, na Zona Sul do Rio. Uma das justificativas para a ação foi justamente a presença de bandidos de fora do estado na Vila Cruzeiro, o que incomodou o tráfico local.

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Um dos mortos na operação é Mauri Edson Vulcão Costa, conhecido como Déo, integrante do alto comando do braço da facção criminosa carioca nas cidades de Belém e Abaetetuba, no Pará. Ele foi apontado como responsável por ordens recentes para executar agentes públicos em seu estado nos últimos meses.

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Em Porto das Caixas e Visconde, além de o comando estar na mão de paraenses, de 10 a 15 traficantes que atuam nos bairros também são do estado do Norte. O tráfico tomou os bairros em maio de 2021, após a prisão de milicianos que atuavam na região. Os criminosos usaram como base o Complexo do Salgueiro, onde também há a informação de presença de paraenses. Em uma operação do Bope em novembro do ano passado, Jhonata Klando Pacheco Sodré, de 28 anos, foi morto na comunidade. Ele era do Pará.

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No Pará, Léo 41 comanda o tráfico de drogas no bairro Bengui, em Belém. No ano passado, o “Fantástico” divulgou uma conversa na qual um oficial da PM negociava com Léo o fim de atentados contra policiais no Pará. O tenente-coronel falou com o traficante, que já estava foragido, pelo celular de um preso, de dentro de uma unidade prisional paraense.

Contatos nos presídios

De acordo com fontes de inteligência do Pará, a maior facção criminosa do Rio se fortaleceu no Norte há cerca de seis anos, sob o comando do traficante Alberto Bararuá de Alcântara, o Beto Bararuá, que ficou preso em unidade federal. No presídio, teve contato com criminosos de diferentes partes do Brasil. Ele conseguiu arregimentar vários comparsas e, atualmente, a quadrilha carioca é a mais forte no estado do Norte.

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As investigações apontam que o mais comum é que os paraenses busquem o Rio apenas para se esconder nas favelas. Eles aproveitam para, além disso, pagar taxas ao tráfico local, negociar com os cariocas a vinda de drogas pela rota do Rio Solimões e, em contrapartida, o envio de armas para sua terra natal.

Em março deste ano, uma paraense foi presa por policiais da DRE com uma metralhadora calibre .50 em sua bagagem. Ana Carolina Ferreira Trindade, de 24 anos, estava num ônibus com destino à cidade de Belém. De acordo com as investigações da especializada, ela adquiriu o armamento no Complexo da Penha. Ana é mulher de Hemerson Gernan Gouveia da Silva, também membro da facção.

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