Bao Tong, alto funcionário chinês que virou dissidente, morre aos 90 anos

O dissidente chinês Bao Tong, um alto funcionário do Partido Comunista preso depois de simpatizar com os protestos na Praça Tiananmen (Paz Celestial) em 1989, morreu aos 90 anos, informou seu filho no Twitter.

Bao passou grande parte das últimas três décadas sob vigilância domiciliar ou na prisão, após a repressão dos protestos estudantis de 1989 que pediam reformas democráticas e o fim da corrupção.

"Meu pai (...) morreu em paz às 07H08 de 9 de novembro de 2022", escreveu o filho Bao Pu no Twitter.

Ex-integrante do poderoso Comitê Central do Partido Comunista, Bao Tong foi secretário político do reformista Zhao Ziyang, primeiro-ministro e secretário-geral do partido.

Zhao, que foi uma estrela em ascensão no partido, entrou em conflito com colegas da linha dura por sua simpatia pelo movimento estudantil. Ele foi destituído e acabou em prisão domiciliar.

Bao também apoiou as reformas políticas e econômicas defendidas por Zhao e terminou detido por seu apoio ao movimento. Ele passou sete anos na prisão, antes de passar para a detenção domiciliar.

Apesar da punição, ele fez críticas veementes aos líderes chineses em artigos e comentários na imprensa internacional e lutou pela reabilitação oficial de Zhao Ziyang, que morreu em 2005.

Convencido de que a China seguiu o caminho errado após os protestos da Praça da Paz Celestial, Bao assinou o manifesto "Carta 08", uma petição que foi divulgada na internet para pedir reformas políticas e a proteção dos direitos humanos.

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