Bar criado por grupo LGBTQIAP+ vira ponto de encontro dos descolados no Rio

Todo filme de Velho Oeste tem um bar. Na imagem clássica, as mulheres aparecem dentro desses ambientes reduzidas a mocinhas indefesas ou dançarinas salientes. O protagonismo fica para os machões, que hora ou outra estragam o clima com um bang-bang. Não é assim no Novo Oeste. Lá, o comando da casa é das mulheres, e só rola bang-bang se alguém adicionar o clássico de Nancy Sinatra à trilha tocada no bar que virou ponto de encontro em Santa Teresa. “É um lugar dominado pelas mulheres e figuras andrógenas, sem gênero”, descreve Thamires Duarte, que divide a sociedade com a namorada, Marcela Morê, e a amiga Isabela Maroja. “Acreditamos na diversidade no sentido mais amplo da palavra, em que os nossos vizinhos coroas também vão estar aqui.”

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As falas dizem respeito a um ambiente tão real quanto fantástico. O bar surgiu, na verdade, de um curta homônimo produzido por elas, todas profissionais do audiovisual. A ideia é que o projeto se desdobre ainda numa série, cujo piloto já foi roteirizado. Antes disso, porém, Thamires encontrou o imóvel disponível para locação na Rua Paschoal Carlos Magno. Quando bateu os olhos no enorme armário de madeira ao redor do salão, anunciou às amigas que havia encontrado o Novo Oeste. “A ideia é bancar a série com a grana levantada aqui”, diz.

A cozinha ficou a cargo da chef Danilly Ramos. Ela mandou ver nos hambúrgueres e nos petiscos. O Brizolão já é hit, ao combinar o blend de carne da casa com melt de gorgonzola, carpaccio de picles de pera e farofa de bacon e rúcula, tudo no pão brioche. Vai superbem com as fritas rústicas fininhas e crocantes e o Afrodite, drinque de caldo de cana com limão, espuma de gengibre e vodca. “Pensamos numa comida capaz de confortar as pessoas, ao mesmo tempo em que se sentissem num boteco”, conta a moça, que já comandou a cozinha do LSH Hotel, na Barra. “Aqui, encontrei a energia que procurava.”

A atmosfera ao redor do salão — todo decorado com objetos garimpados em mercados das pulgas — é uma atração à parte. O entrosamento da equipe 100% LGBTQIAP+ contagia os clientes numa vibração meio “festa com os amigos”. Às quartas, tem forró com o trio Cangote e, vira e mexe, a turma aumenta o som, e uma pista de dança surge num passe de mágica. No carnaval, uma dobradinha do Bloco Xona com a cantora Letrux ferveu o endereço, assim como a festa Velcro Livre já ganhou uma edição por lá. Em breve, o Drag Brunch, um brunch embalado pelas apresentações de drag queens, e um evento com cortes de cabelo assinados por Ale Berton também vão entrar na agenda. “Como tudo aqui, estamos em construção”, avisa Thamires.

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