Bares recorrem a vaquinhas e vouchers para garantir renda

Henrique Gomes Batista e Vitor da Costa*
Bares e restaurantes já registravam queda do movimento nas últimas semanas. Com fechamento, buscam formas para sobreviverem à crise

RIO e SÃO PAULO - De bares descolados a restaurantes em favelas, donos de estabelecimentos tentam meios alternativos de conseguir renda em tempos de isolamento social. Doações, vaquinhas, vales com desconto e apoio de cervejarias estão entre as ações.

Carlos Quirino, do Restaurante Maná, na comunidade de Paraisópolis, em São Paulo, reforçou as entregas depois que teve de fechar as portas. A renda caiu, mas, ao aderir ao iFood, ele conseguiu uma receita superior à da entrega que fazia apenas no bairro:

— Aqui na comunidade vendo uma refeição a R$ 15, R$ 20. No iFood vendo pelo triplo do valor. O problema é que os pedidos estão caindo, e as contas não entram de quarentena — diz Quirino.

Em outros locais, a entrega não é mais a única opção de receita:

— Não queria colocar nossa cozinheira, que vive com um idoso, em risco. Então estou vendendo vouchers, de até R$ 200, que poderão ser usados quando a quarentena acabar — conta Guilherme Scarano, do Scar, no bairro Barra Funda, point boêmio da capital paulista.

Ele se inspirou em iniciativas como a do FFFront, na Vila Madalena. O bar e restaurante fez uma vaquinha entre os boêmios fiéis, que já arrecadou R$ 5.860:

— Sempre fomentamos a arte, música e o encontro ao vivo aqui no FFFront, e nossos clientes são nossos amigos, criando uma sensação de comunidade — diz Daniel Pereira, sócio da casa.

‘Pendura invertido’

O Cama de Gato, no Centro da capital paulista, também apelou para a vaquinha on-line. Há dez opções de colaboração, que vão desde o pagamento de R$ 50, com o cliente recebendo R$ 60 de crédito e tendo seu nome citado em um post de agradecimento, até R$ 10 mil, que dá o direito de fazer uma festa open bar para até cem convidados. O bar já arrecadou R$18.500.

— O maior problema é a falta de fluxo de caixa. É uma bola de neve, quando não tem dinheiro, tudo trava — explica André Badim, sócio do bar.

Raphael Vidal, do Bar Casa Porto, no Rio, inovou:

— A gente sempre recebeu de braços abertos o “pendurista”. Agora que estamos de portas fechadas, convocamos os clientes a fazer um “pendura invertido”.

O Bar do Mané, com duas unidades no Rio, resolveu vender kits com produtos personalizados, como bonés, copos e caixas de cerveja.

— As pessoas estão realmente comprando para ajudar — conta o proprietário, Daniel Bittencourt.

Percival Maricato, presidente da Abrasel-SP, associação do setor em São Paulo, considera essas medidas paliativas:

— Só se resolve esse problema com ajuda governamental. Não há muito espaço para tentar reduzir os custos.

A medida provisória (MP) que o governo prepara para o setor formal também prevê ajuda a bares e restaurantes.

Enquanto isso, a Stella Artois, marca de cerveja da Ambev, criou com o ChefsClub o movimento “Apoie Um Restaurante”: o consumidor paga R$ 50 por um vale de R$ 100, a ser usado no futuro nos estabelecimentos cadastrados no site da iniciativa (www.apoieumrestaurante.com.br). A empresa vai arcar com a outra metade. A expectativa é angariar R$ 4 milhões na campanha.

*Estagiário sob a supervisão de Danielle Nogueira

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