Barra Mansa tem a primeira paciente com coronavírus no Rio; caso é brando

JÚLIA BARBON

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O estado do Rio de Janeiro confirmou seu primeiro caso de coronavírus nesta quinta (5). A paciente é uma mulher de 27 anos de Barra Mansa (a 140 km da capital fluminense) que viajou para a Europa recentemente.

Com isso, são oito casos no país: mais seis em São Paulo e um no Espírito Santo, segundo o Ministério da Saúde. Um nono caso, registrado no Distrito Federal, deu positivo para o vírus em um exame da rede privada e agora aguarda contraprova.

Dois dos casos paulistas foram autóctones, ou seja, transmitidos dentro do país. Agora há 636 pessoas (79 delas no Rio) sendo monitoradas, ainda em investigação, e 378 suspeitas já foram descartadas após exames.

Segundo o secretário estadual de Saúde fluminense, Edmar Santos, a paciente de Barra Mansa esteve na Itália, nas cidades de Milão e Lombardia, e na Alemanha, de 9 a 23 fevereiro.

Os primeiros sintomas, tosse e coriza, surgiram no dia 17, portanto após o voo de volta que fez com o marido. Em 1º de março, ela procurou o hospital, cujo nome não foi divulgado, e realizou a coleta para exames.

Como é praxe em ocasiões como essa, a amostra foi enviada ao Laboratório Central Noel Nutels (Lacen-RJ), onde foi dividida em duas partes. Uma foi analisada na própria unidade, investigando vírus respiratórios comuns, e a outra foi enviada à Fiocruz, que fez o teste para coronavírus e o confirmou nesta quinta.

Apesar disso, o secretário afirmou que não há motivo para pânico. “Esse primeiro caso confirmado, importado do exterior e sem nenhum sinal de circulação interna do vírus no estado do RJ, não muda nada do que já vínhamos falando”, disse ele em uma entrevista coletiva à imprensa convocada às pressas nesta quinta (5).

“A população pode ficar calma, inclusive a população de Barra Mansa. Caso mude qualquer cenário, serei o primeiro a vir a público dar as informações e orientações”, completou.

O caso da mulher foi brando e não teve maiores complicações. Seguindo os protocolos para a doença, ela deve continuar em isolamento domiciliar até o dia 20 e sua família, que não apresentou sintomas até o momento, está sendo acompanhada e visitada pela vigilância municipal.

A lista de passageiros que viajaram com ela para o Brasil foi passada para a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que vai contatar quem estava nas poltronas ao seu redor. Caso essas pessoas apresentem sintomas, farão o teste para o coronavírus, assim como a equipe médica que a atendeu.

O secretário disse que o aumento de casos é natural. “Para o vírus de característica de transmissão respiratória não há bloqueio, uma hora ele entra e circula, o importante é a gente sempre que possível adiar a entrada o máximo que der, que é o que estamos fazendo. E depois que entra, tratar em especial as populações de maior risco.”

Ele aproveitou para fazer um apelo para que a população evite outras doenças, se vacinando contra o sarampo e a gripe e combatendo focos do mosquito da dengue. “Se houver uma eventual epidemia, será importante que a gente não tenha uma sobreposição de epidemias”, disse Santos.

Entre as medidas de prevenção do coronavírus estão: proteger nariz e boca ao espirrar ou tossir, não compartilhar objetos de uso pessoal como talheres e copos, lavar frequentemente as mãos, usar álcool em gel e evitar ambientes com muita aglomeração.