Barroso chama França de "reacionária" por defender a exceção cultural

(13/06/2013) Presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso

O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, criticou duramente nesta segunda-feira a posição da França de excluir o setor audiovisual do mandato de negociação comercial da União Europeia (UE) com os Estados Unidos e chamou a atitude de "reacionária".

"Faz parte deste programa antiglobalização que considero totalmente reacionário", disse Barroso em uma entrevista ao jornal International Herald Tribune.

O presidente da Comissão afirmou que é favorável à proteção da diversidade cultural, mas sem impor um cordão ao redor da Europa.

"Alguns dizem que são de esquerda, mas no fim das contas são extremamente reacionários", disse.

Os defensores da exceção cultural "não entendem os benefícios que a globalização proporciona, inclusive do ponto de vista cultural, para ampliar nossas perspectivas e ter o sentimento de pertencer à mesma humanidade", afirmou.

Os ministros do Comércio dos 27 países da UE alcançaram na sexta-feira, após 13 horas de negociações, um acordo para negociar um tratado de livre comércio (TLC) com os Estados Unidos e deram um mandato à Comissão para iniciar as conversações.

Para obter a unanimidade aceitaram, como exigia a França, excluir completamente o setor audiovisual das negociações.

O comissário europeu do Comércio, Karel De Gucht, que liderará as negociações com os Estados Unidos em nome da UE, desejava incluir o setor audiovisual em seu mandato, para não dar nenhum pretexto aos Estados Unidos para manter fechados alguns setores econômicos às empresas europeias.

A UE poderá seguir definindo no momento a política de cotas e de subsídios para o cinema, televisão, música e rádio, assim como as maneiras de proteger os novos canais de distribuição de conteúdos.

A Comissão Europeia poderá mais adiante voltar a colocar na mesa de negociações o setor audiovisual, mas terá que obter a unanimidade dos Estados membros para negociar.