Bartender, esteve à frente de renomadas casas em SP

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - "A história do Rafa é muito de uma ascensão financeira", afirmou Fabiola Marin Spinola, mulher do bartender Rafael Pires Domingues, que esteve à frente de renomados bares em São Paulo.

Nascido e criado na Brasilândia, na zona norte da capital paulista, o bartender saiu da casa dos pais cedo, e chegou a morar em duas ocupações no centro da cidade.

"Quando ele foi morar em ocupação ele não precisava. Foi porque queria viver aquele momento e entender como era a luta por moradia", afirmou Spinola.

Antes de se tornar um profissional das coqueteleiras, Rafael tentou cursar outras duas faculdades, a de psicologia e a de história, mas não se encontrou em nenhuma delas. Até que resolveu prestar o vestibulinho da Etec para o curso de técnico de cozinha.

"Ele passou e foi onde se achou. Ele sempre falava que a coquetelaria era um braço da gastronomia", disse Spinola.

O primeiro freelancer em um bar ele conseguiu com a ajuda de uma professora, foi quando começou a trabalhar no Manifesto Bar.

Depois, passou por outras casas do circuito Vila Madalena e Pinheiros, como o Morrison Rock Bar.

Até que fez uma entrevista para a vaga de chefe de bar no Clos Restaurante, e, por lá, ficou cerca de dois anos.

Um mês antes de a casa fechar, Rafael foi chamado para trabalhar no Frank Bar, do hotel Maksoud Plaza.

"Era o sonho da vida dele trabalhar no Frank Bar. Desde a primeira vez que a gente saiu, ele falava deste lugar", lembra Spinola.

Rafael assumiu então o comando da casa após a saída do bartender Spencer Amereno Jr., e ficou por lá até o fechamento do estabelecimento.

Na sequência, foi contratado para gerenciar o Nit Bar de Tapas e o restaurante Tanit, ambos do chef Oscar Bosch, e, na casa, lançou a sua própria carta de drinques.

Ao mesmo tempo, passou a dar consultorias para outros estabelecimentos, como o restaurante Lardo.

"A profissão era o amor da vida dele e ele tinha muitos planos para ela, como sindicalizar e trazer melhorias nas condições de trabalho. A vida dele era isso, a luta de classes", diz Spinola.

Rafael Pires Domingues morreu no dia 29 de junho, aos 32 anos, depois de um acidente de trânsito. Ele estava de bicicleta acessando a ciclovia da avenida Antártica, na zona oeste de SP, quando foi atropelado por um motociclista em alta velocidade. O bartender deixa a mãe, o pai, dois irmãos, uma sobrinha, a mulher e filhos de criação.

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