Barulho faz mal ao coração: estudos comprovam que excesso de ruídos eleva o risco de doenças cardiovasculares

Que a exposição constante a sons muito altos causa problemas auditivos já é mais do que comprovado. Mas o excesso de ruídos também pode ter impacto direto na saúde do coração. A poluição sonora, especialmente aquela provocada pelo barulho de tráfego de carros, ferrovias e aeroportos, é um fator gerador de um grande estresse fisiológico, aumentando o risco de doenças cardiovasculares.

Segundo a cardiologista Juliana Soares, do Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo, desde a década de 1970, os cientistas estudam a associação de ruídos altos com problemas no coração, mas as evidências eram poucas. Nos últimos dez anos, entretanto, vários estudos têm comprovado essa correlação — o que torna essa exposição mais um fator de risco a ser considerado pelos médicos. As pesquisas mostram que os efeitos da poluição sonora são comparáveis com o do fumo passivo.

“A exposição a ruídos não é um questionamento comum em uma consulta de rotina. Mas se o paciente relatar que tem problemas com o sono, por exemplo, essa é uma questão que deve ser considerada. O sono é um importante regulador das funções do organismo, e a sua interrupção constante é prejudicial e está relacionada ao surgimento de doenças”, afirmou a cardiologista, em entrevista à agência de notícias vinculada ao hospital da capital paulista.

Uma recente revisão de estudos publicada na revista científica “Nature” avaliou o impacto dos ruídos na saúde cardiovascular e confirmou que o excesso de barulho durante a noite causa a fragmentação do sono e a elevação dos níveis dos hormônios do estresse. Isso pode levar a disfunções cardiovasculares, inflamação e hipertensão — todos fatores de risco para doenças cardiovasculares, segundo especialistas.

Os perigos de uma exposição constante

Quando o som passa de um certo limite, ele acaba estimulando mecanismos cerebrais responsáveis pelas emoções.

“Isso acaba levando à produção de uma série de hormônios, mais destacadamente a adrenalina e a cortisol (hormônios do estresse), que provocam um desbalanço no organismo e um processo inflamatório dentro do endotélio, a parede dos vasos sanguíneos”, explicou Juliana Soares.

De acordo com a cardiologista, a produção excessiva dos hormônios do estresse leva ao enrijecimento das paredes dos vasos e favorece a deposição de placas de gordura, culminando com a doença cardiovascular. Também aumenta o risco de hipertensão arterial e diabetes.

Segundo Juliana, uma conversa normal tem cerca de 60 decibéis, o barulho de carros e caminhões gira entre 70 e 90 decibéis, e o ruído de sirenes e aviões alcança cerca de 120 decibéis, assim como sons de boates e shows.

“Níveis de ruído acima de 70 decibéis já são considerados prejudiciais”, disse ela, ressaltando que o som alto não é o único problema: “Uma exposição constante a barulhos, mesmo que não sejam muito altos, é como se a gente sempre causasse um estresse diário ao organismo. Um pequeno machucado todos os dias. Ao final, vira uma ferida grande”.

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