Barulho de transformadores da Light incomoda vizinhos em Copacabana

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RIO — Para o morador de Copacabana e engenheiro eletrônico Pedro Codo, morar próximo à Subestação Leme, na Rua Guimarães Natal 37, custa caro. Isso porque uma boa noite de sono só é possível se ele estiver disposto a ligar o ar-condicionado e abafar o barulho dos transformadores da Light que o atrapalha desde 2018, quando os equipamentos foram trocados. Com isso, a conta de luz sobe mesmo em meses mais frios. E, como se não bastassem os zumbidos à noite, de dia o problema permanece.

— Eu reclamei com a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), a Light e secretarias responsáveis. Ninguém nos atende. O problema afeta toda a vizinhança — diz.

A Light afirma que o motivo da troca foi tornar os equipamentos menos poluentes, já que os anteriores utilizam óleo vegetal para funcionar. Se a poluição do ar foi reduzida, a sonora segue incomodando moradores. A situação já gerou até um abaixo-assinado com mais de 300 nomes feito pela Associação de Moradores Parque Cardeal Arcoverde (Amave). Flauberto Goés, outro morador da região, tentou um caminho diferente: deixou sua reclamação no portal Reclame Aqui. A queixa resultou na visita de técnicos da PUC para medir os ruídos, mas nenhuma melhoria foi feita.

— Eles vieram até o prédio onde moro, fizeram as medições, ficou claro que os zumbidos estavam acima do permitido, mas nunca ninguém tomou providências — afirma Goés.

Codo usou um aplicativo de celular para medir o ruído. Ele constatou uma variação de 53 a 55 decibéis, ultrapassando os limites estipulados por lei municipal: de 45 decibéis à noite e 50 de manhã.

Em nota, a Light reconhece os ruídos e diz que, desde 2019, um Projeto de Pesquisa de Desenvolvimento (P&D) vem sendo elaborado para redução do barulho na Subestação Leme, com acompanhamento do Ministério Público (MP) federal. Entretanto, a nota não esclarece em qual fase o projeto está nem qual é o cronograma proposto.

O MPF confirma estar acompanhando o trabalho, mas explica que solicitou à Aneel e à prefeitura que fiscalizem em conjunto. A Coordenadoria de Defesa Ambiental da Secretaria municipal de Meio Ambiente (SMAC), por sua vez, informou que fará nova aferição, esta semana, na casa de um dos reclamantes. A pasta ainda diz que, em 2018, uma fiscalização foi feita, mas o ruído não superou o limite determinado em lei. Já a Aneel não respondeu aos questionamentos sobre a última fiscalização realizada pela agência.

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