Basquete feminino do Brasil tenta se reerguer com técnico especialista no masculino

O período de reconstrução acabou tendo como ponto de partida a participação nos Jogos Pan-Americanos de Lima, onde a seleção brasileira vem sendo comandada por um técnico que debuta no basquete feminino. (AP Photo/John Raoux)

Por Marcelo Laguna (@MarceloLaguna)

Lima (PER) – Deixado em segundo plano durante os últimos anos pelos dirigentes, o basquete feminino do Brasil busca retomar um caminho mais suave e de triunfos como os que experimentou entre as décadas de 80 e começo dos anos 2000, período em que contava com estrelas do nível de Hortência, Janeth e Paula. O período de reconstrução acabou tendo como ponto de partida a participação nos Jogos Pan-Americanos de Lima, onde a seleção brasileira vem sendo comandada por um técnico que debuta no basquete feminino.

Em menos de um mês de trabalho, José Neto, que acumulou títulos do NBB (Novo Basquete Brasil) pelo Flamengo e que foi um dos auxiliares técnicos de Rubén Magnano no ciclo olímpico anterior, já mostra sinais de que dentro da quadra, as coisas podem mesmo estar mudando para melhor. O time terminou invicto sua campanha na fase de classificação no Pan e decide nesta sexta-feira (9), a partir das 20h (horário de Brasília), uma vaga na final do torneio feminino, diante da Colômbia.

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“Tem sido um trabalho muito prazeroso e gratificante. Vemos elas se esforçando ao máximo para dar o melhor. Elas entenderam que o propósito é para que elas sejam referência do basquete feminino no país. Que sejam boas referências”, disse Neto, para quem as diferenças entre comandar mulheres e homens não são tão grandes assim.

O período de reconstrução acabou tendo como ponto de partida a participação nos Jogos Pan-Americanos de Lima, onde a seleção brasileira vem sendo comandada por um técnico que debuta no basquete feminino. (AP Photo/Brandon Dill)

“Claro que existem coisas específicas para um time feminino, mas o conteúdo que mostramos a elas é o mesmo, no final das contas. “O técnico é um grande gestor de pessoas. Tem que fazer uma gestão, não só das atletas, mas como de todo o staff. Estamos tendo muito apoio da confederação, COB, que busca dar o máximo de condições, mesmo em pouco tempo de trabalho. É um começo de um processo. A gente quer ainda muito mais, temos ambições”, disse o treinador.

A pivô Clarissa, capitã da seleção, explica que a adaptação do grupo tem sido bem tranquila com o estilo de trabalho do novo treinador. “Tem sido uma troca bem legal com essa nova comissão técnica. Eles estão fazendo de tudo para a gente entender o propósito do que eles estão pedindo. Bem didático, para executar os conceitos que querem aplicar, como jogar com muita intensidade, marcação forte e apostar na rotação das atletas”, disse Clarissa, que defende o Sampaio Basquete (MA).

O maior desafio desta equipe, contudo, não será o Pan-Americano. Em setembro, a equipe disputará a Copa América, em Porto Rico, de olho em oito vagas para o Pré-Olímpico das Américas, marcado para novembro. Nesta competição, estarão em jogo quatro vagas para o Pré-Olímpico mundial, que definirá finalmente as vagas para Tóquio-2020.

“Estamos conscientes do que teremos pela frente e que o caminho não é fácil. Há o risco de não irmos para a Olimpíada, mas confiamos na qualidade deste trabalho, que só está começando, e na qualidade das atletas”, diz Adriana Santos, gerente de seleções da CBB (Confederação Brasileira de Basquete). O próprio Neto diz que está olhando mais à frente.

“O objetivo que este grupo que assumiu a seleção tem é o de recuperar e fazer com que o basquete feminino do Brasil possa voltar a ser referência. O processo não acontecerá do dia para noite”, explica o treinador.

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