Batalha pela missa na Itália pode enfraquecer governo em plena pandemia

Por Catherine MARCIANO
Igreja da Santíssima Trindade dos Montes de Roma, na praça de Espanha, em 11 de abril de 2020

A batalha dos bispos italianos para celebrar a missa após quase dois meses de confinamento alimentou as críticas contra o primeiro-ministro Giuseppe Conte, após o anúncio das novas medidas para impedir que a curva epidemiológica da COVID-19 suba novamente.

A decisão do governo de autorizar a abertura de fábricas, lojas e museus em maio e manter a proibição de celebrar missas pelos riscos "inevitáveis" envolvidos em manifestações massivas provocou a ira da Igreja Católica.

"Os bispos italianos não podem aceitar que o exercício da liberdade de culto seja comprometido", protestou a Conferência Episcopal Italiana (CEI) em comunicado de imprensa que foi, acima de tudo, um grito de guerra.

Conte, um católico praticante e com relações privilegiadas com o Vaticano, tem contado com o apoio aberto do papa Francisco durante a crise.

A CEI pressiona, por sua vez, para que o governo aprove um "pacote de propostas" com o objetivo de permitir a retomada da vida eclesiástica após 3 de maio.

O pedido inclui também a celebração de missas, respeitando as medidas previstas, como a distância de segurança entre os fiéis, o uso de máscaras e nenhum contato entre as pessoas.

Diante da forte reação por parte da Igreja, Conte anunciou imediatamente que o Executivo estudará os protocolos de segurança propostos pelos bispos para voltar a celebrar missas.

A opinião do grupo de especialistas e cientistas que o assessoram é contrária: eles compararam a missa a uma partida de futebol, devido ao nível de propagação do vírus.

- Francisco pede prudência -

Enfrentando o embate, que alimenta duras críticas a Conte, principalmente por parte da Liga de extrema direita e xenófoba, Francisco enviou nesta terça-feira um sinal de apaziguamento em sua tradicional missa matinal.

"Nestes tempos, quando começamos a ter disposições para sair da quarentena, pedimos ao Senhor que dê a seu povo, a todos nós, a graça da prudência e da obediência às disposições, para que a pandemia não volte", pediu o pontífice.

Desde que a epidemia começou em fevereiro, a Igreja italiana pagou um preço muito alto com mais de 100 padres e freiras que perderam a vida, cuidando dos doentes.

Segundo Garelli, 22% dos fiéis na Itália vão à missa todos os domingos, mais do que na Alemanha, ou na França.

Conte, que admitiu que teve de ser "rígido" por temer que o surto se espalhasse novamente, cometeu "um erro político" para alguns observadores. E seus rivais querem aproveitar este erro, devido à alta popularidade alcançada pela sua gestão da emergência.