Bate-boca na CPI da Covid: Governistas não aceitam participação da bancada feminina; assista

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  • Após bate-boca entre senadores sobre participação feminina, sessão da CPI da Covid é suspensa

  • Senadores governistas não aceitaram questionamentos de senadora entre membros titulares da CPI

  • Acordo entre a bancada e o presidente da comissão havia sido definido ontem

Senadores da base aliada ao presidente Jair Bolsonaro iniciaram um bate-boca na sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado, nesta quarta-feira (5), por não aceitarem a participação da bancada feminina durante inquirição do depoente, o ex-ministro Nelson Teich. 

O presidente da comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM), suspendeu a sessão.

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Na sessão de terça-feira (4), Eliziane Gama (Cidadania-MA) pediu que as senadoras — que passaram a ter bancada feminina oficial — possam também inquirir pela ordem dos inscritos e não somente após os titulares e suplentes do colegiado.

Eliziane
Senadora Eliziane Gama defende participação da bancada feminina na Câmara (Foto: Edilson Rodrigues/ Agência Senado)

Pelo Regimento Interno, a ordem de inscrição para questionamentos na comissão segue a seguinte ordem: membros titulares da CPI, membros suplentes e, depois, demais senadores, por ordem de inscrição.

Senadores governistas, como Ciro Nogueira (PP-PI), Marcos Rogério (DEM-RO) e Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), se manifestaram contra o questionamento da senadora Eliziane Gama na sessão de hoje.

Ela e Simone Tebet (MDB-MS), líder da bancada feminina, defenderam a possibilidade de falar, lembrando que isso foi decidido por votação da própria CPI. Houve bate-boca, como no momento em que Rogério sugeriu que a participação feminina seria usada para atacar Bolsonaro. 

"Pode me olhar com cara feia que vossa excelência não vai me intimidar", disse Eliziane, que também já havia 'peitado' o senador Flávio Bolsonaro, na sessão de abertura da CPI.

Nelson Teich depõe hoje na CPI

O ex-ministro da Saúde Nelson Teich depõe hoje na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado.

Ele afirmou que sua saída do ministério deveu-se à pressão sobre o uso da cloroquina e à falta de autonomia para fazer o trabalho necessário. “Sem liberdade para atuar segundo minhas convicções”, disse.

Segundo o ex-ministro, o pedido de demissão ocorreu justamente pelo pedido de ampliação do uso do medicamento contra a covid-19. Nelson Teich disse que havia uma preocupação do "uso indevido" de medicamentos, não apenas da cloroquina.

“[A cloroquina] é um medicamento que tem efeitos colaterais. Essencialmente era a preocupação do uso indevido. Isso vale nao para a cloroquina, mas para qualquer medicamento”, afirmou.

No entanto, Teich declarou que nenhuma orientação para a distribuição de cloroquina passou pelo Ministério da Saúde durante sua gestão e que não soube da produção do medicamento pelo Laboratório Químico e Farmacêutico do Exército.

"Não sabia da produção da cloroquina pelo Exército, não fui consultado", afirmou Teich.

Questionado sobre o desempenho do general Eduardo Pazuello, secretário-executivo da pasta na época em que Teich era ministro, ele afirmou que o militar auxiliou nas demandas relacionadas à logística.

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