Batutas em Paris: a turnê europeia que mudou a música brasileira e foi alvo de racismo em 1922

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Em fevereiro de 1922, sete músicos brasileiros desembarcavam no porto de Bordeaux, sudoeste da França. O destino do grupo era Paris, a badalada capital francesa que vivia seus anos mais loucos após o final da Primeira Guerra Mundial. Pixinguinha, Donga, entre outros batutas, fizeram apresentações durante seis meses no que é considerada a primeira turnê europeia de um grupo de música popular brasileira. O evento, no entanto, não teve a mesma recepção no Brasil, onde a imprensa publicou críticas racistas de quem não aceitava a música popular tocada por negros como imagem da cultura de seu país.

O sucesso dessa viagem, que completa cem anos ainda pouco conhecida, foi fundamental para o desenvolvimento do choro e do maxixe no Brasil, e mudou a carreira de Pixinguinha.

A história começa no subsolo do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, onde os bailes do Cabaré Assyrio eram animados pelo grupo Oito Batutas, que tinha entre seus músicos o jovem Pixinguinha e Donga. Com seus maxixes, choros e sambas, a banda conquistou a elite carioca. E chamou a atenção de um bailarino brasileiro que vivia na França, Antonio Lopes de Amorim Diniz, conhecido como Duque.

“O Duque ficou encantando com o que ele ouviu. E o Duque valorizava muito a cultura brasileira, tanto que ele foi o grande divulgador do maxixe [nos bailes de Paris]”, explica Andrea Wanderley, editora do projeto Brasiliana Fotógrafica.

O grupo de sete músicos –após a desistência de seu baterista J. Tomás-- embarca no transatlântico Massília rumo à França, para uma turnê que deveria durar um mês no cabaré Shéherazade, em Paris.

Sucesso na França, racismo na imprensa brasileira


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