'BBB 21': Grupos no WhatsApp e no Telegram sobre conquistam anônimos e famosos

Talita Duvanel
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A cidade de Barra do Garças, no Mato Grosso, onde mora a estudante de Direito Allanis Araujo, tem pouco mais de 60 mil habitantes, segundo o IBGE. É menos da metade do número de pessoas que habita o grupo do Telegram “BBB 21”, onde Allanis é “prefeita”. Pelo aplicativo de mensagem, a jovem de 20 anos e mais sete amigos virtuais, de diferentes regiões do Brasil, abastecem 130 mil pessoas com vídeos e transcrições de conversas dos participantes do reality show da TV Globo. O grupo, até o momento o maior dedicado ao assunto no Telegram, é atualizado 24 horas por dia, já que nesta edição, diz Allanis, tem sempre alguém acordado.

— Meu sonho é que a TV Globo colocasse horário para eles dormirem — brinca Allanis. — Postamos trechos que possam ser interessantes. Se tem uma briga, procuramos pegar o contexto.

Quando atingiram cem mil participantes, no fim de semana, eles até pediram contribuições via Pix para manter o trabalho de pé.

— Não ganhamos muito, mas, por ser um hobby, foi uma quantia boa. Mas só vamos postar isso de novo quando atingirmos 200 mil seguidores (número máximo permitido pelo Telegram) — ela conta.

Todos os perfis

Aplicativos de mensagem como WhatsApp e Telegram são a segunda tela — para não dizer a primeira — de muita gente que quer ficar por dentro do que acontece na casa. De grupos menores com amigos, familiares e colegas de trabalho a redes imensas como a de Allanis, por ali sai muita informação para aficionados e para aqueles que não têm pay per view ou perderam algum detalhe no site oficial ou no programa ao vivo na Globo.

O ator Otávio Muller é um dos que, fisgado pelo sucesso de 2020, permaneceram num grupo de “Zap” sobre o programa. Por lá, estão também os humoristas Paulo Vieira e Marcelo Adnet (“Otávio é a estrela, manda os áudios mais engraçados”, diz Adnet).

— Acompanho o programa da noite, não vejo o 24 horas. Acordo e já tem um monte de notícias da madrugada, porque o Adnet está com um bebê — conta Otávio, que interage com mais 15 artistas e não revela o nome do grupo de jeito nenhum. — Não tenho rede social. Então, o grupo me repassa muita coisa. É uma brincadeira, totalmente informal.

O WhatsApp só permite 256 pessoas num chat, patamar que o “Team Márcia” deve conquistar em breve, já que tem 204 integrantes. O nome do grupo é uma homenagem ao personagem que Carla Diaz interpretou na novela “Rebelde”, da TV Record (2011). Uma das participantes é a estudante Suellen Martins, de 20 anos.

— Não sou muito chegada a grupos. Mas como gosto muito da Carla, decidi entrar para não perder nenhum detalhe dela — diz a moradora de São Paulo.

Assim como Suellen, muita gente procura grupos específicos sobre seus favoritos. No Telegram, o nome que reúne mais fãs é Pocah: são 8,5 mil torcedores no “Central Pocah”. Foi de lá que começaram a notar que a cantora tem aproveitado o programa para pôr o sono em dia.

— Quando criei, coloquei cem pessoas na Central. Algumas saíram, e outras ficaram — conta o administrador, o estudante Ryan Felipe, de 17 anos, de Pindamonhangaba (SP). — Um dia, postei: “Pocah acordou”; uma hora depois, “Pocah dormiu”. Fui para a cama e no dia seguinte já tinha mais de mil pessoas.

Mesmo outsider das redes, Otávio Muller vê todo sentido nessas reuniões virtuais.

— O programa conversa muito com a internet. É de sacadas rápidas.