'BBB20': Presidente da Sociedade Brasileira de Hipnose comemora 'procura gigantesca' pelo tema

Isabella Cardoso

Na última segunda-feira, Pyong Lee fez uma sessão de hipnose no "Big Brother Brasil 20" que teve choro, gagueira e garantiu muitas risadas na casa. Victor Hugo, que é psicólogo, e também alguns internautas questionaram se é ético o que o youtuber fez. Victor criticou o uso da técnica para entretenimento e que ela só deveria ser feita para fins específicos. Erick Heslan, presidente da Sociedade Brasileira de Hipnose (SBH), diz que as alegações usadas para querer proibir a hipnose de entretenimento não têm fundamentação teórica e científica.

— Tem um problema no discurso dos profissionais da saúde, que querem restringir a técnica. Não existe nenhuma evidência que ela pode causar prejuízo se usada para entretenimento. Nós defendemos o uso da hipnose clínica, mas alegações contra a hipnose de entretenimento não têm fundamentação teórica e científica.

Na sessão dentro da casa, Pyong fez, por exemplo, Thelma parar de sentir o braço e Ivy conseguir ver seu filho em Gabi Martins. Heslan explica sobre os possíveis riscos:

—  Existem riscos? Existem. O pessoal fala, por exemplo, que fazer hipnose pode desencadear um surto psicótico e a pessoa ficar esquizofrênica. Pode acontecer? Pode. Mas também ocorre com uma pessoa assistindo a um filme, fazendo uma meditação, ouvindo um áudio, jogando um jogo de videogame. Não é por conta da hipnose.

O profissional comemora que, desde o início do programa, a procura sobre hipnose vem crescendo:

— Comparado com o mês passado, o site da Sociedade Brasileira de Hipnose já teve cinco vezes mais acesso. Há uma procura gigantesca. As pessoas veem lá na televisão acontecendo, ficam curiosas e vão pesquisar no Youtube, Google, leem textos sobre o assunto e podem encontrar um profissional competente para poder ajudar.

Heslan ressalta que também há quem fique com medo da técnica. Porém, para ele, os aspectos positivos são maiores do que os negativos.

— Tem um lado bom e um lado ruim. Realmente, muitas pessoas ficam com medo em relação à técnica. Mas também tem pessoas que ficam curiosas e a veem como uma possibilidade de ficar livre de um problema, trauma ou questão que está passando na vida. O número de pessoas curiosas é infinitamente superior. Os aspectos positivos são maiores que os negativos.

O presidente da Sociedade Brasileira de Hipnose (SBH) também não enxerga como problema o fato de Pyong não ter formação na área da saúde.

— Isso não o impede de fazer hipnose. Qualquer pessoa pode trabalhar com a técnica. Mas é claro que quem tem formação na área da saúde teve várias aulas sobre ética, ciência e tem uma probabilidade maior de ter uma prática séria e responsável — afirma ele, que completa: — Os maiores psicoterapeutas e grandes hipnólogos não têm formação na área de saúde. Tem muitos sociólogos, antropólogos, jornalistas. Muitos profissionais contribuiram para essa área e restringi-los não faz sentido.