BBC diz que polícia chinesa agrediu um de seus jornalistas em protesto em Xangai

Protesto contra restrições relativas à Covid em Xangai

Por David Milliken e Martin Quin Pollard

LONDRES/PEQUIM (Reuters) - A BBC disse que a polícia chinesa agrediu um de seus jornalistas que cobria um protesto no centro comercial de Xangai e o deteve por várias horas, atraindo críticas do governo britânico, que descreveu sua detenção como "chocante".

A China contestou o relato e disse que o jornalista não se identificou como repórter.

"A BBC está extremamente preocupada com o tratamento dado ao nosso jornalista Ed Lawrence, que foi preso e algemado enquanto cobria os protestos em Xangai", disse a emissora de serviço público britânica em um comunicado na noite de domingo.

"Ele foi detido por várias horas antes de ser liberado. Durante sua prisão, ele foi espancado e chutado pela polícia. Isso aconteceu enquanto ele trabalhava como jornalista credenciado."

Os manifestantes foram às ruas de Xangai, Pequim e outras cidades nos últimos dias para protestar contra as restrições pela Covid-19, uma demonstração de desobediência civil sem precedentes desde que o líder Xi Jinping assumiu o poder.

Em Pequim, um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores disse que a declaração da BBC não reflete o que aconteceu. "De acordo com nosso entendimento, a declaração da BBC não é verdadeira", disse o porta-voz Zhao Lijian.

"Segundo as autoridades de Xangai, o jornalista em questão não revelou sua identidade de jornalista no momento, não mostrou abertamente sua carteira de jornalista estrangeiro", acrescentou.

"Quando o incidente ocorreu, os policiais pediram às pessoas que saíssem e, quando algumas pessoas não cooperaram, foram retiradas do local."

A detenção do jornalista foi "chocante e inaceitável", disse nesta segunda-feira um porta-voz do primeiro-ministro britânico, Rishi Sunak.

Um jornalista da Reuters também foi detido por cerca de 90 minutos na noite de domingo, antes de ser liberado.

(Reportagem de David Milliken, Kylie MacLellan e Kate Holton em Londres, Martin Pollard em Pequim)