BBC revisará práticas após escândalo por entrevista de Lady Di

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A BBC anunciou uma revisão de suas políticas editoriais e de governança

A BBC anunciou nesta segunda-feira (24) uma revisão de suas políticas editoriais e de governança, após as críticas intensas recebidas pelos métodos "enganosos" utilizados por um de seus jornalistas para obter, em 1995, uma entrevista explosiva com a princesa Diana de Gales.

A emissora pública de rádio e televisão britânica pediu desculpas, após a publicação de um relatório independente que criticou os métodos usados pelo jornalista Martin Bashir, de 58 anos. Ele pediu demissão em meados de maio, alegando motivos de saúde.

Elaborado pelo ex-juiz do Tribunal Supremo John Dyson, o relatório também apontou a direção da instituição por sua gestão do caso e vontade de enterrar a questão.

"Acreditamos que a BBC é, hoje, uma organização diferente, com uma governança distinta e mais sólida, com processos aperfeiçoados", afirmou o conselho de administração em um comunicado.

"Não devemos apenas presumir que os erros do passado não podem ser repetidos hoje - devemos ter certeza de que este é o caso", acrescentou o conselho.

"Nós acreditamos que é correto revisar, de maneira detalhada, a eficácia das políticas editoriais e de governança da BBC", completa o comunicado.

As conclusões da investigação, que será realizada por diretores não executivos, serão apresentadas em setembro.

A entrevista da princesa Diana foi uma bomba em 1995: ela afirmou que havia "três pessoas" em seu casamento - uma referência ao relacionamento do príncipe Charles com Camilla Parker Bowles - e admitiu que ela mesma teve uma aventura.

De acordo com o relatório Dyson, Bashir mostrou ao irmão de Diana, o conde Charles Spencer, extratos bancários falsos que sugeriam que alguns assessores mais próximos de Lady Di estavam sendo pagos pelos serviços de segurança para mantê-la sob controle.

Spencer afirma que isto o levou a apresentar sua irmã ao jornalista, cuja carreira foi alavancada depois da entrevista exclusiva.

Passados 26 anos, a publicação do relatório coloca a BBC sob pressão, e o governo considera a possibilidade de reformas nesta instituição pública, financiada por um imposto audiovisual que sofre ameaças de cortes, ou de supressão, há muitos anos.

O ministro da Cultura, Oliver Dowden, disse ao jornal The Times que é necessária uma "mudança de cultura" na BBC, cuja atitude, opinou, às vezes é arrogante.

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