BC aponta recuperação econômica e afirma que é preciso cautela com juros

Renata Vieira
Fachada do Banco Central, em Brasília

BRASÍLIA - Depois de reduzir a taxa de juros básicos da economia, a Selic, de 5% para 4,5% ao ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central afirmou que a economia brasileira ganhou tração.

O comitê voltou a afirmar também que os trimestres seguintes devem apresentar “alguma aceleração” econômica, puxada pela liberação dos recursos do FGTS e do PIS-PASEP - e que o impacto disso ficará concentrado nos últimos três meses deste ano. As projeções constam da ata do Copom, divulgada nesta terça-feira.

Juros:Entenda em 5 pontos como o novo corte da Selic afeta economia e investimentosDiferentemente do que sinalizou em reuniões anteriores, o Copom não antecipou o próximo movimento do Banco Central na definição da Selic. Desta vez, o comitê registrou que é preciso cautela na condução da política monetária, ponderando que faltam comparativos na história brasileira para o atual nível de juros.“O Copom entende que o atual estágio do ciclo econômico recomenda cautela na condução da política monetária. O Comitê enfatiza que seus próximos passos continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação.”

Juros global: Brasil alcança posição inédita no ranking com novo corte da SelicO colegiado aponta ainda que a eficiência que o mercado de capitais e de crédito tem ganhado via setor privado podem gerar uma redução mais rápida do nível de ociosidade da economia e, assim, pressionar a inflação para cima.

Segundo o Copom, porém, a dinâmica atual da inflação ainda aponta para um nível de ociosidade alto dos fatores de produção, isto é, da fraca atividade das fábricas - o que, no curto prazo, não representa um risco para a inflação.

“Alguns membros avaliaram que os últimos dados de atividade e a maior eficiência do mercado de crédito e capitais podem resultar em uma redução da ociosidade mais rápida do que antevisto e, com isso, produzir pressão altista na inflação.

Por outro lado, os membros do Copom ressaltaram que a dinâmica dos núcleos de inflação sinaliza que a ociosidade dos fatores de produção ainda é elevada”.

Inflação

Ainda na esfera do comportamento da taxa de inflação, o BC avalia que diante da fraca atividade econômica, apesar dos primeiros sinais de tração, o nível dos preços segue, por ora, em patamares confortáveis.Quando as estimativas para a inflação estão em linha com as metas definidas pela autoridade monetária, abre-se espaço para a redução dos juros. Quando elas estão acima do esperado, a Selic sobe para equilibrar o nível de preços.

Dólar:BC reduz reservas a US$ 361 bi, menor nível desde 2016. Mas proteção do país segue robustaAinda segundo a ata do Copom, considerando os cenários traçados pelo mercado, as projeções para a inflação estão em 4% para 2019, 3,5% para 2020 e 3,4% para 2021.Para este ano, o indicador fica ligeiramente abaixo da meta, definida em 4,25%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. O BC explica que as projeções de curto prazo foram afetadas pela alta do preço da carne, “que ocorreu de forma mais intensa e prematura do que esperada anteriormente”.

Continuidade das reformas

A importância de manter o processo de reformas econômicas e de ajuste nas contas públicas voltou a constar das comunicações do Copom. Segundo o colegiado, “o processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira tem avançado”, mas “perseverar nesse processo é essencial para permitir a consolidação da queda da taxa de juros estrutural e para a recuperação sustentável da economia.”