BC atuará com instrumento e montante necessários para acalmar câmbio, diz diretor

O Globo, com agências
Na última reunião do Copom, o Banco Central sinalizou uma interrupção no ciclo de cortes nos juros

BRASÍLIA - O Banco Central intervirá no mercado de câmbio com instrumentos e montante necessários para acalmar o mercado e promover a funcionalidade das operações, disse nesta segunda-feira o diretor de Política Monetária da autoridade monerária, Bruno Serra, acrescentando que o BC tem a política monetária como ferramenta para conter efeitos da crise externa.

"O cenário tem evoluído muito rápido. A gente vai precisar se debruçar sobre o assunto e avaliar a melhor forma" na reunião do Copom deste mês, afirmou Serra, em evento em São Paulo. "Vamos continuar fazendo (intervenções no câmbio) no montante que for necessário enquanto entendermos que o mercado não está funcionando de modo regular."

Serra indicou ainda que as intervenções cambiais do BC podem durar o tempo que for necessário, e complementou que a conjuntura permite que o BC lance mão de todos os seus instrumentos, no volume que considerar adequado, para promover o regular funcionamento do mercado de câmbio.

A mensagem vem num dia de forte volatilidade nos mercados globais por conta da queda acentuada nos preços do petróleo após a Arábia Saudita ter lançado uma guerra de preços com a Rússia.

Ainda nesta manhã, antes da abertura dos negócios, o BC anunciou que elevou a US$ 3 bilhões a oferta líquida de dólar à vista em leilão nesta segunda-feira, ante valor inicialmente programado de US$ 1 bilhão, depois de na semana passada ter colocado no mercado US$ 5 bilhões em contratos de swap cambial tradicional. Mesmo assim, o dólar comercial operava em alta e chegou a ser negociado por R$ 4,792.

"As intervenções têm sido pontuais, respondendo a eventos e disfuncionalidades específicas, mas podem durar o tempo que for necessário para o retorno do regular funcionamento do mercado de câmbio", trouxe o documento de Serra.

O diretor reconheceu que, desde o início das preocupações com a propagação do coronavírus, o real mostrou tendência de depreciação acelerada, semelhante a períodos de crise aguda. Esse movimento desde o começo deste ano "não é explicado nem pela redução no diferencial de juros nem pelo risco país", afirmou ele.

Serra também avaliou que a posição cambial do BC, de US$ 330 bilhões, está em seu maior nível histórico em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), de cerca de 20%, e que constitui um "seguro robusto" contra choques externos.

O diretor fez algumas considerações sobre o atual cenário brasileiro, ao destacar que as transações correntes seguem financiadas pelo fluxo de investimento direto em participação no capital, frisando também que o passivo externo líquido é predominantemente em moeda local.

Em outra frente, ressaltou que as empresas não financeiras têm reduzido passivo externo e sua exposição cambial e que os investidores estrangeiros vêm diminuindo suas posições em dívida local.

"Esta é uma conjuntura que permite ao BCB dispor de todos os seus instrumentos, no volume que entender apropriado, para promover o regular funcionamento do mercado de câmbio", disse.

Serra pontuou ainda que o BC não tem preconceito ou preferência por uso de nenhum dos instrumentos à sua disposição. Ele lembrou que, no ano passado, divulgou as motivações que o levaram a trocar a oferta de swaps cambiais por dólar à vista, oferecendo a liquidez demandada pelo mercado, mas sem alterar a posição cambial líquida.

"A redução do nível e da volatilidade do cupom cambial no período recente, especialmente para os vértices entre um e dois anos, aponta para o sucesso da atuação do BCB", acrescentou.