BC: Bancos têm capacidade de enfrentar impacto do coronavírus

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BRASÍLIA - O sistema bancário brasileiro tem capacidade de enfrentar o impacto do coronavírus na economia, apontou o Banco Central (BC) nesta quarta-feira no Relatório de Estabilidade Financeira. O documento é divulgado semestralmente.

O Banco Central realizou testes de estresse do sistema levando em conta um cenário em que empresas e trabalhadores de certos setores deixaram de pagar seus empréstimos e financiamentos. Segundo o BC, é um dos testes com resultados “mais severos” já feitos.

O resultado revelou que os bancos teriam de aumentar suas provisões (reservas para cobrir eventuais perdas com devedores) para passar pela crise.

Com a necessidade de crescimento das reservas, a capacidade dos bancos de disponibilizar crédito no mercado seria menor e a sustentação do crescimento da economia ficaria “temporariamente comprometida”. Segundo o BC, demoraria três anos para os bancos retomarem a capacidade de crédito atual.

Em momentos de crise, as empresas podem passar a tomar crédito para passar pelo período, já que os faturamentos estão baixos ou nulos. O BC divulgou na terça-feira que, em março, primeiro mês com impacto mais forte da crise, a concessão de crédito para empresas aumentou em 60%.

O documento ressalta, no entanto, que o teste não contabiliza ações dos bancos de reservas de recursos para o enfrentamento da crise e considera um impacto geral e simultâneo no resultado das instituições financeiras.

Apesar de tudo isso, o BC considera que as simulações demonstram que os bancos têm capacidade de enfrentar a crise. A autoridade monetária ressalta que tomou providências para evitar o pior cenário, como a liberação de compulsórios e o empréstimo com base em letras financeiras.

Insegurança jurídica

No documento, o BC ressaltou que medidas legislativas ou judiciais que comprometam a segurança jurídica podem dificultar o enfrentamento da crise econômica.

Nas últimas semanas, a Justiça Federal proferiu decisões que o BC se opôs, como a suspensão de pagamentos de empréstimos consignados para aposentados, que foi revertida na terça-feira.

“Iniciativas que impliquem quebras de contratos, tais como isenção da obrigação do pagamento de dívidas, postergação de pagamentos ou revisão de preços e tarifas, costumam resultar em aumento de incerteza jurídica e, consequentemente, em aumento dos prêmios de risco e inibir o potencial do mercado de crédito quando da retomada do crescimento”.