BC diz que bancos farão mutirão para renegociar dívidas

Renata Vieira
O presidente do BC, Roberto Campos Neto, participou de audiência da CAE do Senado

BRASÍLIA - O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou nesta terça-feira que, nas próximas semanas, os bancos vão abrir suas agências por mais tempo para renegociar dívidas. Em contrapartida, para conseguir taxas mais favoráveis, os clientes terão de passar por minicursos de educação financeira.

Campos Neto disse ainda que há a possibilidade de os bancos abrirem também aos sábados para o que chama de mutirão de renegociações, mas o tema ainda está em debate com o sindicato da categoria.

Para microempresas: Banco Central quer dobrar volume de crédito em 4 anos- Nós temos um projeto, vai sair na semana que vem ou na próxima, onde os bancos vão abrir as agências por mais tempo. Nós queríamos até que abrissem no sábado, mas estamos aí com um debate no sindicato, mas a ideia era fazer um mutirão onde todos os bancos vão renegociar dívidas em taxas favoráveis. Mas, a contrapartida disso é que o cidadão que vai lá no banco renegociar a dívida faça um curso de educação financeira. Ou seja, ele sai de lá com mais educação financeira do que ele entrou - afirmou Campos Neto, durante audiência da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, que discute os efeitos da política monetária sobre a economia brasileira.

Na semana passada, o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), comentou que o governo estava montando uma estratégia para tentar reduzir juros cobrados de consumidores e empresas. E adiantou que o BC iria anunciar uma mudança na taxa do cheque especial.

Durante a audiência da CAE, Campos Neto disse ainda que o desafio da educação financeira não se esgota nessa iniciativa, mas que é um primeiro passo importante.

O presidente da autoridade monetária mencionou o fato de que há estudantes universitários financiando seus cursos pelo cheque especial - modalidade de crédito de emergência, a mais cara do país.

- Óbvio que você não vai conseguir formar uma pessoa em educação financeira em um dia, mas a gente acha que é possível fazer um curso que estimule depois a pessoa a procurar mais informação no futuro - disse.