BC usará todos os instrumentos para cumprir meta de inflação em 2024, diz Campos Neto

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*ARQUIVO* BRASILIA, DF,  BRASIL,  01-10-2020, 12h00: O presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
*ARQUIVO* BRASILIA, DF, BRASIL, 01-10-2020, 12h00: O presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que a autarquia usará todos os instrumentos que possui para cumprir a meta de inflação de 3%, prevista para 2024 e anunciada nesta semana. Segundo o executivo, porém, é preciso que as expectativas estejam ancoradas.

"Nossa meta principal é fazer com que essa convergência [de inflação para 3%] aconteça, entendendo que, olhando para períodos mais longos, podem existir choques no meio do caminho que são absorvidos", afirmou Campos Neto em painel no congresso Ciab de tecnologia bancária, promovido pela Febraban (Federação Brasileira de Bancos) nesta sexta-feira (25).

Sobre a inflação atual, o presidente do Banco Central afirmou que a autarquia tem horizontes de atuação e que tenta suavizar os movimentos ao longo do tempo.

"A inflação de 2021 está bastante acima agora, mas entendemos que tivemos vários choques. Alguns têm elementos temporários, mas a intensidade e a multiplicidade desses choques fizeram com que a inflação se tornasse maior", disse.

Segundo os últimos dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) registrou 8,06% no acumulado de 12 meses encerrados em maio. No mês, o indicador registrou 0,83%. O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15) acumulou alta de 8,13% até junho.

Ainda segundo o executivo, um ponto importante a ser destacado é que, no âmbito qualitativo do índice, a inflação de bens está muito alta e a de serviços está muito baixa.

"Esse misto de fatores vai fazer com que a gente tenha uma recuperação econômica com inflação mais baixa. Mas tudo depende dessas duas premissas, e existe um hiato que vai fazer com que [mesmo depois da retomada] haja uma maior demanda [de serviços] sem ter efeito de preço", disse.

Em termos de crescimento econômico, o presidente do Banco Central afirmou que o crescimento no primeiro trimestre foi muito forte e concentrado em agropecuária.

"Existe muita incerteza ainda em relação ao segundo semestre. O ritmo de vacinação e de reabertura vai ser um processo contínuo", disse.

Campos Neto ainda afirmou ser necessário ancorar as expectativas em relação à inflação e aos juros de maneira que os agentes financeiros tenham capacidade de prever prazos mais longos.

"Ter mais credibilidade na política [monetária] é fundamental. Fazer um ajuste [monetário] um efeito mais restritivo de subir juros mas, por outro lado, compensa com ganho de credibilidade [dos agentes financeiros] e deixa a curva [de juros] mais plana, por você ter a capacidade de se programar", afirmou o executivo.

MOEDA DIGITAL

O presidente do Banco Central também afirmou que, até o presente momento, a moeda digital brasileira tem mais perguntas do que respostas e que ainda não é possível traçar um prazo fixo para a chegada da nova tecnologia.

"Quando olhamos o mundo da tecnologia e do que deveria ser a moeda digital, percebemos que são coisas que ainda não se conversam 100%. Tem muitas perguntas que são feitas de um lado que não são respondidas do outro e vice-versa. Agora, o que estamos tentando responder é como chegar a uma extensão da moeda física que não crie nenhuma disrupção no sistema financeiro", disse Campos Neto.

Entre os dilemas ainda existentes, o presidente do Banco Central afirmou que a autarquia ainda estuda e procura entender como a moeda digital pode existir sem ter uma diferença de preço em relação à moeda física, e como tentar equilibrar possíveis distorções de oferta e demanda.

"Acho que podemos evoluir bastante até 2022 mas, por enquanto, não temos prazo fixo", disse.

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