BC vê inflação menor em 2017 e cenário de corte mais intenso na Selic

Por Marcela Ayres
Presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn 20/12/2016 REUTERS/Ueslei Marcelino

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central passou a ver inflação menor em 2017, ainda mais abaixo do centro da meta oficial, e também deixou claro que vai fazer uma "intensificação moderada" no ritmo de corte dos juros básicos diante da desinflação mais difundida.

"A consolidação do cenário de desinflação mais difundida, que abrange os componentes da inflação mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária, fortalece a possibilidade de uma intensificação moderada do ritmo de flexibilização da política monetária, em relação ao ritmo imprimido nas duas últimas reuniões do Copom", informou BC nesta quinta-feira ao publicar seu Relatório Trimestral de Inflação.

Desde que iniciou o ciclo de afrouxamento, em outubro do ano passado, o BC já reduziu a Selic em 2 pontos percentuais, aos atuais 12,25 por cento ao ano. Foram dois cortes iniciais de 0,25 ponto e depois dois de 0,75 ponto.

"Essa 'intensificação moderada' sinaliza que ele (BC) provavelmente está pensando num corte de 1 ponto, e não em 1,25 ponto (em abril)", afirmou a economista-chefe da consultoria Rosenberg, Thais Zara, referindo-se ao próximo encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC.

O BC também destacou a importância de 2019 para a condução da política monetária ao assinalar que "a extensão do ciclo de flexibilização monetária, inclusive as taxas vigentes ao longo de 2018, dependerá das projeções e expectativas de inflação para 2019, mas também das estimativas da taxa de juros estrutural da economia brasileira".

Diante de dados favoráveis para a inflação e do cenário de ancoragem das expectativas, o mercado passou a esperar que o BC irá acelerar o ritmo de corte da Selic a 1 ponto já em abril. A expectativa é de que a taxa feche este ano perto de 9 por cento.

No relatório de inflação, o BC previu alta de 4 por cento do IPCA em 2017 pelo cenário de mercado, abaixo dos 4,2 por cento em fevereiro e do centro da meta oficial, de 4,5 por cento, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

Para 2018, seguiu projetando avanço de 4,5 por cento e, para o primeiro trimestre de 2019, a expectativa é de o IPCA subindo 4,6 por cento em 12 meses.

Na pesquisa Focus mais recente, feita pelo BC com uma centena de economistas todas as semanas, a perspectiva para a inflação em 2017 caiu pela terceira semana seguida, a 4,12 por cento.

O BC também piorou sua perspectiva para o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, com expansão de 0,5 por cento, contra 0,8 por cento antes, diante do nível ainda elevado de ociosidade, refletido nos baixos índices de utilização da capacidade da indústria e, principalmente, na taxa de desemprego.

META DE INFLAÇÃO

Em coletiva de imprensa, o diretor de Política Econômica do BC, Carlos Viana, afirmou que a autoridade monetária considera "bastante pequena" a possibilidade de reduzir a meta de inflação de 2018, hoje igual à de 2017. O debate em junho, quando o Conselho Monetário Nacional (CMN) se reunirá para tratar do tema, será sobre a meta para 2019, acrescentou.

Nesta manhã, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse que o governo aguardava os dados de inflação para definição da meta de inflação de 2019 e revisão do objetivo de 2018 "para saber se justificaria alguma mudança".

Economistas vislumbram em peso a redução da meta para 2019, investida que aproveitaria a forte desaceleração dos preços neste ano, favorecendo o crescimento da economia no longo prazo.

(Reportagem adicional de Silvio Cascione)