BCE deve realizar novo grande aumento de juros em setembro, diz Kazaks

JACKSON HOLE, EUA (Reuters) - Uma recessão na zona do euro agora é muito provável, mas isso por si só não reduzirá a inflação e o Banco Central Europeu (BCE) deve optar por um grande aumento de juros no próximo mês, disse o membro do BCE Martins Kazaks neste sábado.

O BCE elevou as taxas de juros em 50 pontos-base em julho, para zero, e um movimento semelhante está sendo precificado para reunião de 8 de setembro, mas alguns membros do banco começaram a falar sobre um aumento ainda maior à medida que as perspectivas de inflação estão se deteriorando.

"Antecipar aumentos de juros é uma escolha política razoável", disse Kazaks, chefe do banco central da Letônia, à Reuters. "Devemos estar abertos a discutir (aumentos de) 50 e 75 pontos-base como possíveis movimentos".

"Da perspectiva atual, deve ser pelo menos 50", disse Kazaks em entrevista no simpósio anual do Federal Reserve (Fed), em Jackson Hole.

O problema é que, em 8,9%, a inflação é mais de quatro vezes a taxa colocada pelo BCE como meta, e ainda é provável que os preços subam mais antes de um recuo lento.

Com taxas de juros em zero, o BCE ainda está dando suporte à economia e Kazaks disse que o banco deve atingir o nível neutro, que nem freia nem estimula a economia, no primeiro trimestre do próximo ano.

"Se percebermos que precisamos ir além do neutro, não tenho dúvidas de que o faremos", disse ele. "Se não observarmos quedas significativas no núcleo da inflação, talvez precisemos ir além do neutro. Mas não vamos nos antecipar."

Ele acrescentou que o BCE deve reduzir seu balanço patrimonial em algum momento, mas, por enquanto, deve lidar predominantemente com as taxas de juros.

Uma complicação para os formuladores de política monetária do bloco é uma recessão iminente, devido principalmente ao aumento dos preços da energia impulsionados pela guerra na Ucrânia.

"Com essa inflação alta, evitar uma recessão será difícil, o risco é substancial e uma recessão técnica é muito provável. Na Letônia, uma recessão faz parte do cenário base", acrescentou Kazaks.

(Por Balazs Koranyi)