BCE reduz suporte emergencial mas insiste que não é corte de estímulos

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Sede do Banco Central Europeu, em Frankfurt, Alemanha

Por Balazs Koranyi e Francesco Canepa

FRANKFURT (Reuters) - O Banco Central Europeu (BCE) reduzirá suas compras de títulos de emergência ao longo do próximo trimestre, disse a autoridade monetária nesta quinta-feira, dando um pequeno primeiro passo para desfazer a ajuda econômica de emergência que sustentou o bloco durante a pandemia.

Depois que o BCE retirou todas as barreiras no ano passado, à medida que a Covid-19 devastava a economia, as altas taxas de vacinação em toda a Europa agora estão reforçando as perspectivas de recuperação, e as autoridades estão sob pressão para reconhecer que o pior já passou.

Mas, com o aumento das taxas de infecção nos Estados Unidos deixando o Federal Reserve hesitante em encerrar seu estímulo, o BCE adotou cautela: o banco não sinalizou outros movimentos, especialmente como planeja encerrar os 1,85 trilhões de euros em compras sob seu Programa de Compras de Emergência da Pandemia(PEPP), que tem mantido os custos dos empréstimos baixos.

"Esta senhora não vai reduzir estímulos", disse a presidente do BCE, Christine Lagarde, em entrevista coletiva para explicar a decisão, usando uma frase que lembra a famosa declaração da ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, que disse "esta senhora não é de viradas".

"O que fizemos hoje ... por unanimidade, é calibrar o ritmo de nossas compras para cumprir nossa meta de condições de financiamento favoráveis. Não discutimos o que vem a seguir" , disse ela.

Mais cedo, o BCE divulgou um comunicado dizendo que seu Conselho concordou que condições de financiamento favoráveis poderiam ser mantidas com um "ritmo moderadamente mais baixo" de compras de ativos.

Nos últimos dois trimestres, o banco comprou cerca de 80 bilhões de dólares em dívida por mês. O BCE não deu um número para os próximos três meses, mas analistas previam antes da reunião que as compras cairiam para entre 60 bilhões e 70 bilhões de euros.

Destacando a cautela das autoridades, o banco também manteve a antiga promessa de aumentar o estímulo se os mercados e as condições de financiamento exigirem.

O BCE elevou sua previsão de crescimento para este ano para 5%, ante meta anterior de 4,6%, e elevou as expectativas de inflação. A inflação agora é projetada em 2,2% este ano, 1,7% no próximo e 1,4% em 2023 -- bem abaixo da meta de 2% do BCE.

Lagarde disse que as autoridades continuam a acreditar que as pressões salariais são modestas e que os gargalos na oferta, que atualmente estão prejudicando os setores de materiais e equipamentos, começarão a diminuir.

Com a decisão desta quinta-feira, a principal taxa de juros do BCE permanece inalterada em -0,5%, o PEPP fica permanece no curso de terminar em março do ano que vem e as compras sob o Programa de Compra de Ativos (APP), mais antigo, continuam em 20 bilhões de euros por mês.

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