'The Beatles: Get back': primeira parte traz tensão crescente entre Paul McCartney e George Harrison: 'Você não me irrita mais'

  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
·4 min de leitura
JAM1121_MKTG_Day16_Studio_03_RC2.jpg
Neste artigo:
  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.

Às 5h da manhã desta quinta-feira, vai ao ar na plataforma de streaming Disney+ a primeira das três partes da série documental "The Beatles: Get back", dirigida pelo vencedor do Oscar Peter Jackson. Com 2h36 de duração, o episódio engloba os sete primeiros dias de ensaio dos Beatles no estúdio cinematográfico Twickenham, em Londres.

Como contamos melhor aqui, "Get back" faz uso de um extenso e (em sua maioria) inédito material de arquivo da época, utilizando tecnologias de realce de filmagens de última geração. O documentário se passa em janeiro de 1969, durante os ensaios e sessões de composição que culminariam no repertório de "Let it be" e no histórico "concerto do terraço", último show dos Beatles.

Alerta spoiler!

Para quem não se importa com grandes spoilers — ainda mais por se tratar de um evento histórico —, adiantaremos aqui o que de mais relevante acontece na primeira parte de "Get back".

O episódio termina com o guitarrista George Harrison anunciando que estava deixando os Beatles. Em seu diário, ele escreveu que chegou para ensaiar, ficou até a hora do almoço e saiu da banda, o que de fato é mostrado no filme de Peter Jackson. Paul McCartney anuncia que está na hora da pausa para o almoço e Harrison fala "Eu estou deixando a banda agora". John Lennon questiona "quando?" e Harrison repete "agora".

Na volta do almoço, McCartney, Lennon e Ringo Starr retornam, mas nada do guitarrista. Para extravasar, o trio faz uma jam pesada, quase punk, e ganham o reforço de Yoko Ono em vocais improvisados e estridentes. Em certo ponto, Lennon fala "se ele não volta até terça que vem (quatro dias depois), a gente chama o (Eric) Clapton".

Tensão crescente

A narrativa em ordem cronológica escolhida por Peter Jackson prepara o espectador para este clímax. George Harrison raramente é visto satisfeito nos sete primeiros dias de ensaio. Compositor em desenvolvimento, ele reclama que Lennon e McCartney não dão a devida atenção para as suas canções. No episódio, ele chega a mostrar "All things must pass" (título de seu disco solo mais aclamado) e "I me mine" — a última devidamente aprovada pelos demais, tanto que Lennon é visto dançando valsa com Yoko Ono pelo estúdio.

Mas a questão principal é entre o metódico Paul McCartney e o insatisfeito Harrison. O baixista tenta orientar o guitarrista quanto a mudanças nas abordagens das novas músicas — em especial "Don't let me down" e "Get back" —, mas é recebido com uma postura um tanto petulante e combativa do amigo.

McCartney: "Eu estou tentando ajudar, sabe. Mas eu sempre me vejo te irritando, e eu estou tentando...

Harrison: (interrompe) Não, você não está me irritando.

McCartney: "Entendo, então eu não posso dizer..."

Harrison: (volta a interromper) Você não me irrita mais.

Em outro momento, mas na mesma discussão, Paul está reclamando de sentir que precisa ser mandão demais para os outros levarem o trabalho a sério, e Harrison "o que for agradar você, eu faço". No mesmo dia, ele sugere cancelar a ideia de fazer um show.

Rascunhos de hits

Mas nem só de momentos de tensão vive o primeiro episódio de "Get back". Para qualquer fã do quarteto de Liverpool, é um prazer acompanhar o processo criativo por trás de hits como "Let it be", "Don't let me down", "Get back" e "The long and winding road", que são apresentados desde seu estágio de rascunho inicial, muitos com letras e melodias inacabadas.

E isso acontece principalmente porque McCartney e Lennon vão trocando ideias na hora, enquanto tocam, num processo vivo e fluido. É bem verdade que a dupla de compositores não está em seu ápice de entrosamento, mas ainda assim é possível ver como eles funcionam juntos.

McCartney é, junto com Harrison, o grande protagonista do primeiro episódio, principalmente por liderar as ações e também dar mais pitacos nas músicas. Lennon está com Yoko Ono a tiracolo, e transita entre o músico disperso e constantemente atrasado e o que está se divertindo e fazendo piadas — "sob pressão você vai ver o meu melhor", responde quando é cobrado por Paul por não ter levado novas músicas. E Ringo Starr é o boa praça, sempre disposto, pontual, mostrando estar se divertindo e contemporizando os rumores de uma possível separação: "ficamos ranzinzas nos últimos 18 meses (após a trágica morte do empresário Brian Epstein)".

Discussão sobre local do show

A parte menos prazerosa e que toma certo tempo da parte 1 é a discussão sobre o local onde os Beatles fariam o show que estavam ensaiando. Chega a se cogitar um anfiteatro na Líbia, um orfanato, a casa de George Harrison, um navio cruzeiro, o próprio estúdio onde estavam ensaiando, o que era a ideia inicial — Lennon e Yoko chegam a idealizar o cenário a partir de grandes plataformas de plástico.

Mas "Get back", com todo os seus detalhes, se apresentado alinhado às expectativas iniciais dos fãs: ele mostra os Beatles sem muitos filtros, quase que gente como a gente, num relacionamento que pula rapidamente do alto para o baixo. Tudo isso numa qualidade visual impressionante e filmado há 52 anos.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos