Bebês prematuros: OMS passa a recomendar contato imediato com a mãe para aumentar chances de sobrevivência

A Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou nesta terça-feira novas diretrizes para aumentar as chances de sobrevivência e melhorar a qualidade de vida de bebês que nasceram com menos de 37 semanas ou com peso inferior a 2,5 kg. Uma das principais novidades incluídas no documento, que pede ainda ações governamentais para garantir apoio emocional, financeiro e no local de trabalho para as famílias, é a recomendação imediata do contato pele com pele do recém-nascido com a mãe, ou outro cuidador, chamado de método canguru. Com a mudança, a indicação é que ocorra logo após o parto, antes de o pequeno passar pela incubadora.

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De acordo com informações da organização e da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a estratégia é um modelo de assistência humanizado que consiste em estimular o contato físico contínuo e prolongado dos cuidadores com o bebê na posição canguru. Ela consiste em manter o recém-nascido em contato pele a pele, na posição vertical, junto ao peito do responsável.

Para isso, muitas vezes são utilizados itens como um sling ou um canguru, carregadores que prendem o bebê ao tórax do cuidador. Um dos motivos para os benefícios desse contato é porque muitos bebês prematuros têm uma deficiência de gordura corporal, o que leva a problemas para regular a própria temperatura, explica a OMS.

“Bebês prematuros podem sobreviver, prosperar e mudar o mundo – mas cada bebê deve ter essa chance. Essas diretrizes mostram que melhorar os resultados para esses bebês minúsculos nem sempre é fornecer as soluções de alta tecnologia, mas garantir o acesso a cuidados de saúde essenciais centrados nas necessidades das famílias”, afirma o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

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Segundo a entidade, o método deve ter início imediatamente após o nascimento, ainda na maternidade, sem um período inicial na incubadora. A exceção é caso o pequeno seja incapaz de respirar espontaneamente, esteja em em choque ou precise de ventilação. Além disso, depois, em casa, a técnica é indicada como parte da rotina, no mínimo de oito horas diárias.

Em comunicado, a organização destaca que isso marca uma mudança significativa na diretriz clínica anterior, que não orientava esse contato imediato antes do bebê estar estável. Isso porque geralmente esse período na incubadora leva de 3 a 7 dias, adiando os benefícios do contato direto com o cuidador. A OMS afirma que novos estudos têm mostrado que começar o método canguru mais cedo aumenta as chances de sobrevivência, reduz infecções e casos de hipotermia e melhora a amamentação.

“O primeiro abraço com um dos pais não é apenas emocionalmente importante, mas também absolutamente crítico para melhorar as chances de sobrevivência e os resultados de saúde de bebês pequenos e prematuros. Com os tempos de Covid-19, sabemos que muitas mulheres foram desnecessariamente separadas de seus bebês, o que pode ser catastrófico para a saúde de bebês nascidos prematuros ou pequenos. Essas novas diretrizes enfatizam a necessidade de fornecer cuidados às famílias e bebês prematuros juntos como uma unidade e garantir que os pais recebam o melhor apoio possível durante o que geralmente é um momento estressante e ansioso”, defende a diretora médica de saúde do recém-nascido da OMS, Karen Edmond.

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Outras orientações

A OMS destaca que a atenção aos bebês prematuros é um “problema urgente de saúde pública”. A cada ano, estima-se um nascimento de 15 milhões de bebês antes do tempo ideal (mais de 10% dos partos), e um número ainda maior de recém-nascidos com um peso abaixo do adequado (20 milhões). Os casos estão numa crescente e, hoje, a prematuridade é a principal causa de morte entre as crianças com menos de 5 anos. Em países de baixa renda, a taxa de sobrevivência chega a ser de apenas 10%.

Ainda assim, a nova recomendação, embora tenha impactos mais significativos em lugares com estruturas de saúde mais deficitárias, é válida também para nascimentos em países de renda alta, esclarece a organização. “Isso exige repensar como os cuidados intensivos neonatais são fornecidos, afirmam as diretrizes, para garantir que pais e recém-nascidos possam estar juntos o tempo todo”, diz a organização.

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Além de tornar o método canguru imediato, o documento reforça a importância da amamentação para garantir um desfecho de saúde positivo para bebês prematuros e com baixo peso, ressaltando que ela deve ser priorizada às fórmulas infantis. “Onde o leite materno não estiver disponível, o leite humano de doadoras é a melhor alternativa, embora “fórmula pré-termo” fortificada possa ser usada se não houver bancos de leite”.

Além disso, “as diretrizes também defendem um maior apoio emocional e financeiro para os cuidadores. A licença parental é necessária para ajudar as famílias a cuidar do bebê, afirmam as diretrizes, enquanto as políticas e direitos governamentais e regulatórios devem garantir que as famílias de bebês prematuros e com baixo peso ao nascer recebam apoio financeiro e no local de trabalho suficiente”, acrescenta a OMS.