Bebeu as cervejas Belorizontina ou Capixaba? Saiba o que fazer

Constanca Tatsch

RIO — A descoberta de contaminação das cervejas Belorizontina e Capixaba, da Cervejaria Backer, que provocou a morte de duas pessoas em decorrência da síndrome nefroneural — e deixou outras 15 internadas, gerou grande apreensão em quem consumiu um dos rótulos. Quem ingeriu a bebida corre risco? É preciso procurar um médico se os sintomas não apareceram? Se a pessoa passou mal, mas já melhorou, é preciso se preocupar?

Na manhã da terça-feira, uma representante da cervejaria Backer, Paula Lebbos, responsável pela produção da cerveja Belorizontina, orientou consumidores a não beber o produto.

Tanto o dietilenoglicol quanto o monoetilenoglicol são substâncias consideradas “medianamente tóxicas”, segundo o toxicologista do Grupo Fleury Alvaro Pulchinelli Jr., mas a gravidade do quadro depende da quantidade à qual a vítima foi exposta, o estado de saúde anterior e a resposta individual que define sua capacidade de metabolizar substâncias.

As substâncias tóxicas são eliminadas do corpo, em média, até sete horas após a ingestão da bebida. Mas, os sintomas da intoxicação, caso ela ocorra, podem aparecer em até 48 horas depois do consumo da cerveja contaminada.

A intoxicação por ambas as substâncias causam vômito e dor abdominal, evoluindo para um quadro semelhante ao da embriaguez, com dificuldades de locomoção, fala e problemas de visão. Há também dormência e formigamento nas extremidades. O tratamento é feito com álcool etílico e até hemodiálise.

— Não há nenhuma forma caseira de tratamento. Surgiu uma lenda que se ingerisse cachaça estaria protegida, mas está piorando o quadro. O álcool que usamos é em sua forma pura, diluída em soro, calculada exatamente para a pessoa. Por isso, o fundamental é procurar rapidamente o sistema médico — afirma. — Quanto mais rápido o paciente for tratado, mais rápido se recupera dos efeitos.

De acordo com o especialista, o processo de metabolização do dietilenoglicol resulta no ácido glicólico, é tóxico.

— Ele agride as células do sistema nervoso central e a pessoa sofre todos esses sintomas, como tontura, alteração visual, de coordenação motora e também agride os rins. É uma substância que ataca em várias frentes — explica.

As pessoas que morreram ou foram internadas com suspeita da intoxicação pelo consumo da cerveja apresentaram sintomas como desconforto gastrointestinal (náusea, vômito e dor abdominal), insuficiência renal aguda de evolução rápida (em até 72 horas) e alterações neurológicas como paralisia facial, vista borrada, cegueira total ou parcial.

Quem tomou a cerveja há alguns dias e não sentiu nenhum dos sintomas acima, ou apresentou algum deles, mas já melhorou, não é preciso ficar preocupado.

— Se o paciente está assintomático, a substância foi metabolizada. O tempo todo temos contato com substâncias toxicas, mas se a exposição for pequena, às vezes, o sintoma também é pequeno. Se teve contato com a cerveja ou as dúvidas permanecem pode procurar o médico, mas se está assintomática, não é urgente — finaliza Alvaro Pulchinelli Jr., toxicologista do Grupo Fleury.