Beija-Flor lembra George Floyd em comissão de frente com referências ao ‘Black Lives Matter’

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George Floyd, o homem afro-americano de 46 anos asfixiado e morto pela polícia de Minneapolis, nos EUA, em maio de 2020, foi inserido no desfile que a Beija-Flor de Nilópolis levou à Marquês de Sapucaí nesta sexta-feira para exaltar a intelectualidade negra do Brasil e do mundo. O caso, repercutido globalmente até hoje (o policial responsável pelo crime foi condenado a mais de 22 anos de prisão, em junho de 2021), foi mencionado na comissão de frente idealizada pelo coreógrafo Marcelo Misailidis para a azul e branca.

Intitulada “Macuas”, a apresentação que abriu o desfile da chamada “Deusa da Passarela” mostrou a luta dos povos Malês, os negros muçulmanos trazidos ao país na escravidão, contra o domínio das pessoas brancas.

A hegemonia foi representada, na criação de Misailidis, por estátuas que imperavam sobre a repressão aos escravos pretos. A comissão de frente deu fim a esse processo histórico com a explosão da cabeça de uma dessas estátuas, feita de isopor: o efeito especial fazia com que um dançarino jovem e negro emergisse no lugar de um símbolo da chamada “branquitude”. A cena remete à derrubada e à depredação dos monumentos de colonizadores, senhores de escravos e supremacistas no branco (por aqui, o caso mais conhecido é o do bandeirante Borba Gato, cuja estátua, em São Paulo, foi incendiada em julho de 2021).

— O enredo da Beija-Flor ganhou muita força, quando escolhido em 2020, a partir da comoção internacional com a morte de Floyd nos EUA. O episódio virou uma bandeira da luta contra o racismo no mundo todo e a escola não poderia se calar diante desse clamor. Passamos um tempo tentando entender o que seria representativo e nos garantiria um protagonismo nessa abertura. Observamos que a discussão sobre o assunto é complexa graças ao apagamento cultural do povo preto, que acontece sistematicamente nas Américas — afirma Misailidis, completando:

— Fizemos uma metáfora que mostra as pegadas deixadas na areia sendo apagadas e substituídas pela imagem do colonizador, representando por esses monumentos. Falamos sobre a importância de rever isso e de que as pessoas negras identifique no mundo, inclusive nas estátuas, a história de seu povo para além da escravidão.

Essa é a 25ª comissão de frente assinada por Misailidis no Carnaval carioca: este ano, o coreógrafo comemora um quarto de século atuando no quesito (atualmente, ele é o profissional da área com mais tempo ininterrupto de trabalho). São nove anos de trabalho pela Beija-Flor e quatro prêmios Estandarte de Ouro concedidos pelo GLOBO e pelo Jornal Extra em reconhecimento ao trabalho de Misaidilis.

Conduzida inicialmente pela comissão de frente de Misailidis, a Beija-Flor é a sexta e última escola a se apresentar na Sapucaí nesta sexta. Antes da comunidade de Nilópolis, na Baixada Fluminense, também se apresentaram Imperatriz, Mangueira, Salgueiro, São Clemente e Viradouro. A festa continua no sábado, com outras seis agremiações.

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