Beija-Flor termina em 2º após disputa com Viradouro

RIO — Com a missão de empretecer o pensamento, professada em seu samba-enredo, a Beija-Flor foi a vice-campeã do carnaval, num desfile que enalteceu o conhecimento negro e consagrou o bom desempenho da Baixada Fluminense. O resultado foi decidido em disputa acirrada com a Viradouro, última campeã dos desfiles, que levou à Sapucaí um enredo sobre a gripe espanhola, num paralelo com a Covid-19.

Tanto na escola de Nilópolis quanto na de Niterói, não houve espaço para ressentimentos pela vitória da Grande Rio. No Sambódromo, a Beija-Flor puxou aplausos para a tricolor de Duque de Caxias, num gesto incomum.

—Eles mereceram. São mais de 30 anos fazendo carnaval e bateram várias vezes na trave. Por isso tive que aplaudir. Somos os maiores vencedores do carnaval na era do Sambódromo. A gente sabe o que representa — disse Almir Reis, presidente da Beija-Flor.

O presidente da Unidos do Viradouro, Marcelinho Calil, cuja escola tentava o bicampeonato, também reconheceu o feito da Grande Rio:

— Esse foi um resultado mais do que justo pelo que vimos na avenida. O enredo foi bem desenvolvido. Mereceu.

Nas quadras a festa se manteve, apesar de a expectativa pelo título ter sido frustrada. Na praça Vereador Orlando Hungria, no Centro de Nilópolis, onde a azul e branco exibiu a apuração, a comunidade cantou o samba-enredo da escola com firmeza e emoção após a divulgação do resultado.

Ex-passista da Beija-Flor e frequentadora assídua da quadra, a empresária Ingrid Milagre, de 30 anos, comemorou o desempenho de sua escola do coração, tendo em vista o desfile histórico da Grande Rio.

— A coirmã Grande Rio foi muito merecedora desse título. Foi impecável — disse. — E a Beija-Flor mereceu o segundo lugar, sim. A comunidade, com o seu canto, conseguiu caracterizar bem o que é o povo preto, deu o seu recado e conseguiu deixar mais um legado no carnaval do Rio de Janeiro: temos a raça que a mordaça não calou.

Para a moradora de Nilópolis Gleide Garcia, de 50 anos, o importante foi estar entre as campeãs.

— A Beija-Flor veio muito bem, fantasias lindas, cantando forte. Coração está a mil torcendo pela minha querida escola, mas eu só quero uma boa colocação. Até o quinto lugar, se vier, está bom — disse a nilopolitana antes do fim da apuração.

A quadra da Viradouro, última campeã do carnaval, não se deixou abater pelo terceiro lugar. Minutos após o anúncio da vitória da Grande Rio, quando sequer se sabia a colocação final da escola na disputa, o som da transmissão da apuração das notas foi desligado, e as atenções se voltaram para o barulho crescente dos surdos, as caixas e os tamborins. O clima em Niterói foi de festa regada a cerveja e embalada pela bateria do mestre Ciça, que tocou o samba-enredo deste ano (“Não há tristeza que possa suportar tanta alegria”). Sem arredar o pé, a comunidade traduziu sua emoção cantando, em uníssono, o catártico verso "Carnaval, te amo! Na vida és tudo pra mim".

— O que eu sinto depois desse resultado é orgulho. Ficar entre as campeãs já é de grande tamanho, ainda mais diante de um desfile tão bonito da Grande Rio — disse o folião Bruno da Silva, de 26 anos.

A foliã Aline Moraes, de 36 anos, foi à quadra com sua amiga Jaiane Santos, de 26, com quem desfilou.

— O lirismo tomou conta da gente — disse Aline após a apuração. — Independentemente da posição, a Viradouro subiu, e agora não vai sair das cabeças.

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