Belém terá frente de esquerda contra bolsonarista em derrota do clã Barbalho

Leandro Prazeres
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Reprodução/ Facebook/ Câmara dos Deputados
Reprodução/ Facebook/ Câmara dos Deputados

BRASÍLIA – Com a queda do candidato apoiado pela família Barbalho no primeiro turno, a disputa pelo comando da Prefeitura de Belém será polarizada entre esquerda e direita. O deputado Edmilson Rodrigues (PSOL) lidera uma frente de esquerda e tem como rival na fase final da eleição Delegado Federal Eguchi (Patriota), que adota discurso bolsonarista. A expectativa é se figuras da política nacional como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro deverão entrar em cena.

As eleições em Belém sofreram uma reviravolta na reta final. Ao longo de praticamente todo o período eleitoral as pesquisas de intenção de voto indicavam que o segundo turno seria entre Edmilson Rodrigues e o deputado federal José Priante (MDB), que é primo do governador do Pará, Helder Barbalho (MDB).

O resultado da votação, no entanto, surpreendeu. Com 100% das urnas apuradas, Edmilson Rodrigues obteve 34,22% dos votos contra 23,06% do Delegado Federal Eguchi. Priante, ficou com apenas 17,03% dos votos.

Ao GLOBO, Priante disse que não vai apoiar nenhum dos dois candidatos.

— Não vou apoiar o Edmilson porque o conheço. E não vou apoiar o Eguchi porque não o conheço — disse Priante.

— A disputa ficou polarizada e isso me prejudicou bastante. Minha escola é outra. Vou continuar trabalhando por Belém, mas não posso endossar nenhum dos dois — complementou.

A tendência, segundo Priante, é que o governador Helder Barbalho também adote a mesma postura.

Com a perspectiva de que a família mais importante da política paraense se mantenha neutra, a expectativa agora é sobre se figuras nacionais como o ex-presidente Lula ou Jair Bolsonaro irão entrar em cena na disputa.

Pessoas ligadas à campanha de Edmilson afirmam que não deve ter exposição de Lula na campanha, apesar de o vice na chapa ser o petista Edilson Moura. A explicação seria a de que a estratégia adotada até agora, sem a utilização de figuras nacionais, já vem dando resultado. A segunda-feira foi marcada por reuniões para reajustar a “bússola” da campanha que vinha se preparando para enfrentar Priante e não Eguchi no segundo turno.

Em resposta ao GLOBO, o candidato disse ter "apoio explícito" de Lula, mas não respondeu se pretende usar imagens dele em sua campanha eleitoral. "O apoio do ex-presidente Lula é explícito. O PT é parte fundamental da nossa aliança, inclusive com o candidato a vice na chapa, professor Edilson Moura", afirmou Edmilson Rodrigues, por meio de sua assessoria.

No lado de Eguchi, a situação ainda é uma incógnita. Em seu material de campanha, ele divulgou diversos santinhos em que aparecia ao lado do presidente Jair Bolsonaro, mas não foi citado nas lives eleitorais do titular do Planalto. Em uma de suas peças de propaganda, Eguchi aparece com um par de algemas nas mãos ao lado da frase: “Vote na polícia ou vote em ladrão”.

A reportagem tentou contato com a campanha do delegado, mas não obteve sucesso.

Edmilson Rodrigues é deputado federal e já governou Belém por dois mandatos, enquanto estava no PT. Ele é uma das principais vozes de oposição ao governo de Bolsonaro na Câmara dos Deputados.

Eguchi é delegado da Polícia Federal. Em janeiro, ele era cotado para assumir a superintendência do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) do Pará quando um áudio atribuído a ele vazou. Na gravação, ele dizia que, se fosse nomeado, iria trabalhar para “não prejudicar” os produtores rurais. O Pará é um dos campeões do desmatamento na Amazônia. A nomeação acabou não acontecendo.