Câmara de Comércio de Edimburgo expulsa agência Sputnik após envenenamento

Edimburgo (R.Unido), 20 mar (EFE).- A agência de notícias russa Sputnik foi expulsa nesta terça-feira da Câmara de Comércio de Edimburgo, a principal associação de empresários da cidade, depois que a direção da entidade foi pressionada neste sentido por causa do envenenamento do ex-espião Serguei Skripal e sua filha Yulia.

A associação rescindiu a qualidade de membro corporativo da Sputnik, agência multimídia associada à rede "RT" (Russia Today) que é financiada pelo Governo de Moscou, seguindo os pedidos de políticos e empresários locais.

Uma porta-voz da Câmara de Comércio disse ao jornal "The Times" que a expulsão corresponde ao envenenamento de Skripal e sua filha, que causou uma séria deterioração das relações diplomáticas entre a Rússia e o Reino Unido.

Entre outras medidas adotadas, o Governo britânico completou hoje a expulsão de 23 diplomatas russos, um fato aplaudido pelos políticos que tinham pedido a expulsão da agência.

"Dificilmente se pode descrever a Sputnik como um meio de notícias credíveis", disse Maurice Golden, deputado do Partido Conservador.

No mesmo sentido se pronunciou o liberal democrata Alex Cole-Hamilton, que afirmou que a Sputnik publica "propaganda apoiada pelo (presidente russo Vladimir) Putin e foi cúmplice ao encobrir eventos como as violações dos direitos humanos durante a invasão russa da Crimeia".

A Sputnik se instalou na capital escocesa em 2016 e desde então foi fonte de controvérsia, ao ser acusada em várias ocasiões de divulgar informação errônea.

O envenenamento de Skripal e sua filha, que continuam em estado grave depois que entraram em contato com um agente nervoso do tipo Novichok - de fabricação russa - em 4 de março em Salisbury (Inglaterra), levantou suspeitas sobre os meios financiados publicamente pelo Kremlin.

O órgão regulador das telecomunicações no Reino Unido, Ofcom, anunciou que avaliará se a "RT" se ajusta à normativa e continua sendo um canal "apto" para funcionar no país. EFE