Belarus ameaça responder a sanções europeias

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Controle da polícia polonesa na fronteira em 10 de novembro de 2021 (AFP/Wojtek Radwanski)

Belarus ameaçou nesta quinta-feira (11) responder a possíveis sanções europeias relacionadas com a crise na fronteira com a Polônia, onde milhares de migrantes estão bloqueados em condições difíceis.

Como demonstra a crescente preocupação da comunidade internacional, o Conselho de Segurança da ONU deve se reunir em caráter de urgência nesta quinta-feira para examinar a situação entre os dois países do leste da Europa.

A preocupação se concentra no destino de mais de 2.000 pessoas bloqueadas em um acampamento improvisado no lado bielorrusso da fronteira, onde lutam contra o frio queimando madeira para suportar temperaturas próximas de 0ºC.

A União Europeia (UE), que teme uma onda migratória similar a de 2015, acusa o governo do presidente Alexander Lukashenko de ter orquestrado o fluxo como forma de vingança contra as sanções ocidentais, ao mesmo tempo que anunciou novas medidas punitivas na próxima semana.

Nesta quinta-feira, Lukashenko ameaçou "responder" a qualquer nova sanção da UE.

De acordo com um comunicado da presidência bielorrussa, ele mencionou em particular a possibilidade de suspender o funcionamento do gasoduto Yamal-Europa, que atravessa Belarus para fornecer gás russo, combustível crucial para os europeus em plena crise energética.

O ministro das Relações Exteriores do país, Vladimir Makei, fez um pedido de diálogo à UE e afirmou que Minsk é favorável a uma solução para a crise "o mais rápido possível".

- Uma guerra diferente -

Diante do fluxo crescente de migrantes em sua fronteira, em particular curdos procedentes do Oriente Médio, a Polônia mobilizou 15.000 militares, ergueu uma cerca com arame farpado e aprovou a construção de um muro.

O primeiro-ministro polonês Mateusz Morawiecki, que na quarta-feira acusou o regime Lukashenko de "terrorismo de Estado", afirmou nesta quinta-feira que seu país é alvo de uma "guerra diferente". Desta vez, "as munições (utilizadas) são civis", destacou em um comunicado publicado por ocasião da festa nacional da independência polonesa.

Os guardas de fronteira da Polônia registraram nesta quinta-feira 468 novas tentativas de entrada no país. O vice-ministro do Interior, Bartosz Grodecki, afirmou que um grupo de 150 pessoas tentou "forçar a passagem pela fronteira".

Desde agosto, a Polônia registrou mais de 32.000 tentativas de entrada ilegal em seu território, sendo 17.300 em outubro.

O jornal polonês Gazeta Wyborcza informou que 10 pessoas morreram na área de fronteira desde o início da crise.

Bruxelas acusa Minsk de atrair os migrantes em busca de exílio com a oferta de vistos e voos fretados, para depois transportá-los até a fronteira polonesa.

Varsóvia afirma ainda que as forças de segurança bielorrussas intimidam os migrantes para provocar sua entrada em território polonês, em particular com tiros para o alto.

Minsk alega que os guardas poloneses violam as normas internacionais ao bloquear a passagem dos migrantes e usar de violência.

Diante do beco sem saída, UE e Alemanha pediram a intervenção da Rússia, principal aliada de Belarus.

A chanceler alemã Angela Merkel pediu ao presidente russo Vladimir Putin a "utilizar sua influência" com Lukashenko para acabar com o que chamou de instrumentalização "desumana" dos migrantes.

A França afirmou que a Rússia é "parte da solução, pois a dependência de Belarus de Moscou é cada vez mais forte", especialmente no plano econômico e político-militar.

Moscou, que Varsóvia considera o verdadeiro instigador da crise, se limita a expressar apoio a Minsk. O ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, denunciou uma "campanha anti-Belarus".

À espera de avanços, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou uma "ampliação das sanções" contra Belarus na próxima semana.

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