Belarus e Polônia deslocam tropas para fronteira em meio a crise de refugiados

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A crise dos refugiados entre Belarus e Polônia escalou nesta terça (9), gerando uma troca de acusações que ameaça colocar frente a frente o principal aliado da Rússia de Vladimir Putin e um dos mais agressivos membros da Otan (aliança militar ocidental).

Ambos os países deslocaram tropas para as fronteiras. Minsk afirmou que irá reagir a quaisquer provocações, enquanto Varsóvia voltou a acusar a ditadura de Aleksandr Lukachenko de usar os refugiados como arma de pressão sobre seu país.

A confusão começou em meados deste ano, com um grande fluxo de refugiados, a maioria de países do Oriente Médio como o Iraque, sendo concentrados por autoridades de Belarus junto às fronteiras da Polônia e da Lituânia.

A UE (União Europeia), à qual ambos os vizinhos da Belarus pertencem, afirma que o movimento foi forçado por Minsk como forma de retaliação pelas sanções econômicas aplicadas pelo bloco devido à repressão à oposição belarussa.

Em agosto do ano passado, Lukachenko venceu mais uma eleição de fachada, mas enfrentou grandes protestos de rua. Ato contínuo, endureceu o regime e promoveu uma dura perseguição aos rivais, condenada no Ocidente.

Por outro lado, interessado em manter o aliado sob sua órbita, o Kremlin deu apoio ao ditador, que está no poder desde 1994. Mais que isso, acentuou a cooperação militar com exercícios conjuntos e o processo de integração político-econômica do chamado Estado da União entre os dois países, uma proposta que remonta ao ano 2000.

Polônia e Lituânia fecharam suas fronteiras para os imigrantes. Na segunda, forças de Varsóvia tiveram de conter uma tentativa de invasão. "Selar a fronteira polonesa é do nosso interesse nacional. Mas hoje, a estabilidade e a segurança de toda a UE está em jogo", afirmou no Twitter o premiê polonês, Mateusz Morwiecki.

"Nós não seremos intimidados e vamos defender a paz na Europa com nossos parceiros da Otan e da UE", disse. A Polônia estima em até 15 mil o número de refugiados no vizinho, ao menos 4.000 deles concentrados num campo em Kuznica.

Já o Ministério da Defesa de Belarus afirmou que a Polônia violou acordos bilaterais de segurança e enviou, sem aviso prévio, 10 mil soldados para as fronteiras. "Nós gostaríamos de alertar o lado polonês contra qualquer provocação", afirmou o órgão, em nota.

Além da escaramuça pontual, devido à repressão de Lukachenko, há a questão de fundo, que é o antagonismo entre os europeus e Putin.

A Polônia é um dos membros da Otan e da União Europeia mais vocais em suas queixas contra o Kremlin, alimentando uma amarga rivalidade que remonta ao passado em que o país foi usado como tampão tanto do Império Russo quanto da União Soviética ante o continente.

Já os russos acusam os poloneses de paranoia ao estilo Guerra Fria, além de apontar a grande militarização do país. Entre os 30 membros da Otan, a Polônia é o sétimo que mais gasta com defesa, em proporção a seu Produto Interno Bruto: em 2021, aplicou 2,1% dele no setor, acima da meta da aliança, de 2%, algo que só dez países do clube fazem.

Enquanto as autoridades se digladiam, o drama humano segue na terra de ninguém entre as forças de ambos os países. Há relatos de falta de comida e imagens em redes sociais de fogueiras e acampamentos improvisados ao longo da fronteira.

O duro frio da região promete um inverno de sofrimento para os refugiados, que segundo as autoridades europeias foram atraídos de propósito à Belarus -que nega, dizendo que os imigrantes estão legalmente no país.

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