Belgas iniciam limpeza de escombros após enchentes devastadoras

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Rio Maas/Meuse, em Maaseik, norte da Bélgica, em 16 jul. 2021

"Em menos de dez minutos, o nível da água subiu quase um metro", relatou Isabelle Bervoets, enquanto avalia os estragos em seu restaurante em Grez-Doiceau, uma tranquila comuna na região belga de Valônia.

Depois de vários dias de chuvas torrenciais, as pequenas cidades devastadas no sul e no leste da Bélgica iniciaram seu processo de recuperação, que levará tempo.

À espera da visita do rei Philippe nesta sexta-feira (16), a comuna de Pepinster concentra, sozinha, metade das vítimas, lamenta seu prefeito, Philippe Godin.

Este povoado fica em um vale para onde confluem vários rios e, por isso, as inundações provocaram o desabamento de mais de 20 casas.

Nesta sexta, a região seguia sem água potável, energia elétrica e telefonia móvel.

"É um tsunami", disse Godin à AFP. "Temos que pensar nestas pessoas que perderam todas as suas lembranças. É terrível".

O primeiro-ministro Alexander De Croos disse que se trata da "mais catastrófica" enchente do país, um "desastre sem precedentes", e anunciou um dia de luto nacional em 20 de julho.

Por sua vez, a ministra do Interior, Annelies Verlinden, informou que o número de vítimas aumentou para 20 mortos e 20 desaparecidos.

Um dia depois da repentina inundação que fez transbordar as margens do rio Train, um afluente do Dyle que atravessa a região de Brabant (centro), a água começou a recuar.

No restaurante de Bervoets, agora é o momento de começar a tarefa de limpeza.

O chão está coberto de lama, banquetas, reviradas, e é bem forte o cheiro de esgoto.

- "Nada como isso" -

Waals-Brabant, um subúrbio residencial ao sul da capital belga, está acostumado com as inundações. As enchentes registradas nos verões de 2002 e 2005 continuam frescas na memória.

"Mas, desde 2005, não víamos nada parecido e, principalmente, não imaginávamos que seria com tão força", acrescenta Bervoets.

Não muito longe dali, Amandine Bosquet também avalia os danos à sua casa.

"Perdemos tudo o que tinha no primeiro andar", lamenta a jovem, enquanto limpa o chão.

Angleur, Liège, Chaudfontaine, Theux, Verviers, Pepinster, Spa... A lista das comunas belgas submersas desde quarta-feira é longa, em particular, as que se localizam às margens dos afluentes do rio Maas.

Desde ontem, porém, as tempestades se deslocaram para o norte do país, causando danos em Hainaut e na província flamenga de Limburgo.

Para ajudar as vítimas, bombeiros e soldados do Exército foram enviados para todas essas áreas nesta sexta-feira, com o reforço de socorristas de França, Itália e Áustria.

O tráfego ferroviário poderá permanecer interrompido por semanas nas áreas mais afetadas.

Em meio à catástrofe, ao menos na cidade de Liège, às margens do rio Maas, não aconteceu o que tanto se temia na quinta-feira. O rio não transbordou à noite, como se esperava.

"Mas não devemos proclamar vitória. O nível de alerta e de vigilância continua sendo extremo", advertiu a prefeita em exercício, Christine Defraigne.

À medida que a água recua, "provavelmente ainda poderemos nos deparar com situações catastróficas", disse ela à imprensa.

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