Belo diz não ter visto homens armados na plateia de show no Complexo da Maré

Carolina Heringer
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RIO — O cantor Marcelo Pires Vieira, o Belo, afirmou, em seu depoimento na Delegacia de Combate às Drogas (Dcod), que não viu qualquer homem armado na plateia de seu show realizado na madrugada de sábado, dia 13, no Parque União, no Complexo da Maré, Zona Norte do Rio. A favela é dominada pela maior facção criminosa do Rio. Belo foi preso nessa quarta-feira, após ter a prisão pedida pela Dcod em um inquérito que apura a realização do show em plena pandemia e dentro de uma escola estadual, sem qualquer autorização. Após conseguir um habeas corpus, o cantor foi solto no fim da manhã desta quinta-feira.

No depoimento, ao qual o EXTRA teve acesso, Belo alegou que durante a apresentação precisa ficar atento ao teleprompter (monitor no qual aparecem as letras das músicas cantadas por ele), o que torna difícil "a identificação de determinados comportamentos na plateia". O cantor também afirmou que não teve contato com "nenhum traficante ou pessoa armada no local".

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Belo, que conseguiu um habeas corpus na madrugada dessa quinta-feira, está sendo investigado pelos crimes de causar pandemia, infração de medida sanitária imposta, esbulho possessório (pela invasão da escola) e organização criminosa. Além dele, o chefe do tráfico no Parque União, Jorge Luiz Moura Barbosa, o Alvarenga, e outras duas pessoas tiveram a prisão decretada pela Justiça após pedido da Dcod.

Em seu depoimento, Belo também afirmou não saber onde serão realizados os shows para os quais é contratado. Ele atribuiu a um dos sócios da empresa Belo's Music Empreendimentos Artísticos, João Alfredo da Silva Santana, a responsabilidade por tomar as decisões sobre as apresentações. O artista alegou ainda que costuma ser levado por uma van para os locais de show pré-determinados. A empresa, segundo Belo, serve de "link" entre ele e os contratantes de seu show. O cantor fica com metade dos valores recebidos pela empresa.

Belo afirmou ainda que na madrugada do último sábado, entrou em uma van na porta de sua casa e desceu apenas na porta da escola estadual onde o show ocorreu. O cantor disse que não tinha conhecimento de que a apresentação ocorreria numa unidade de ensino.

O artista afirmou ainda que no caminho para o show, na Avenida Brasil, chegou a comentar que parecia estar em uma comunidade e alegou ter dificuldades para identificar quando está em uma favela por ser natural de São Paulo. Belo também negou que soubesse estar se apresentando em uma área de risco e disse não saber quem é o chefe do tráfico local.